O ano de 2025 trouxe uma surpresa positiva para a economia brasileira: a inflação oficial, medida pelo IPCA, deve fechar dentro da meta do Banco Central, contrariando as projeções iniciais do mercado. Após um cenário de pessimismo no final de 2024, impulsionado por fatores como a valorização do dólar e incertezas políticas globais, a trajetória dos preços ao longo do ano foi mais benigna do que o esperado.
Um dos principais vetores dessa melhora foi o comportamento dos preços dos alimentos. Inicialmente projetado para alta significativa, o subgrupo “alimentação no domicílio” deve registrar um avanço muito menor, graças a fatores como boas safras agrícolas e uma maior oferta doméstica de proteínas, que ajudaram a conter a pressão inflacionária que vinha desde 2024.
Os Preços que Mais Caíram em 2025
Dados do FGV Ibre, a pedido do g1, mostram que metade dos 10 itens que mais contribuíram para segurar a inflação pertence ao grupo de alimentos. Os destaques foram:
- Laranja-pera (-27,21%)
- Batata-inglesa (-26,57%)
- Arroz (-24,24%)
Esses produtos tiveram uma queda média de 16,9% entre janeiro e novembro, aliviando o custo da cesta básica para famílias de menor renda. Outro grupo que registrou queda foi o de bens duráveis (eletrodomésticos, móveis, eletrônicos), com recuo médio de 3,5%, influenciado pelos juros mais altos que reduziram a demanda por crédito.
Os Preços que Mais Subiram em 2025
Por outro lado, a pressão inflacionária veio principalmente dos serviços livres e dos preços monitorados. Com o mercado de trabalho aquecido e a taxa de desemprego em patamar historicamente baixo (5,2% no trimestre até novembro), a demanda por serviços se manteve firme. Seis dos 10 itens que mais pressionaram a inflação são serviços:
- Aluguel residencial
- Refeição e lanche
- Ensino fundamental
- Empregado doméstico
- Condomínio
Juntos, esses itens representam 15,8% do orçamento doméstico e tiveram inflação média de 6,2%, acima da meta de 3%. Um caso específico foi o café, que subiu 43,27% no ano, devido a um choque de oferta ligado à safra, clima e câmbio.
Desaceleração da Inflação e Percepção da População
A expectativa é que o IPCA de 2025 feche dentro do intervalo de tolerância da meta do BC, de 4,50%, representando uma desaceleração frente aos 4,83% de 2024. No entanto, muitos brasileiros ainda sentem os preços pesarem no bolso. Isso se deve ao forte aumento acumulado nos preços dos alimentos nos últimos anos, que corroeu o poder de compra, já que os salários são corrigidos pela inflação média, e não pelo custo específico da alimentação.
Perspectivas para 2026
O ano de 2026, que será eleitoral, traz novos desafios e fatores que podem influenciar a inflação, como possíveis medidas de transferência de renda, condições climáticas, desempenho das safras, câmbio, juros e a evolução do mercado de trabalho. As expectativas iniciais são positivas, com agentes acreditando no compromisso do Banco Central com a meta. Especialistas indicam que, dependendo do clima, há perspectiva de melhora nos preços administrados e na inflação de alimentos, com possibilidade de um IPCA semelhante ao de 2025.
Fonte: g1.globo.com