A segunda prisão de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e as novas revelações sobre sua rede de influência com políticos, juízes e um suposto aparato de intimidação contra adversários ganharam destaque na imprensa internacional.
O Financial Times descreveu a detenção como uma “escalada significativa” na investigação sobre suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro no banco, que faliu em 2025 com prejuízos estimados em mais de R$ 40 bilhões.
Já a Bloomberg destacou que a prisão “adiciona um toque de violência ao escândalo”, referindo-se às suspeitas reveladas pela Polícia Federal de que o banqueiro mantinha uma espécie de “milícia pessoal” para monitorar e ameaçar opositores, ex-funcionários e jornalistas. A agência citou uma mensagem de Vorcaro em um grupo de WhatsApp, na qual ele expressou o desejo de “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
As reportagens também detalharam a extensa rede de contatos de Vorcaro no alto escalão de Brasília, mencionando nomes como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro do STF Alexandre de Moraes. “As mensagens recém-divulgadas dão uma noção mais clara do grau de familiaridade que ele mantinha com figuras do alto escalão”, afirmou a Bloomberg.
Outro ponto crucial abordado foi a suposta infiltração no Banco Central. Tanto a Bloomberg quanto a Reuters destacaram as acusações de que Vorcaro pagou subornos ao ex-diretor do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e a Belline Santana, chefe da área de supervisão bancária, em troca de informações privilegiadas.
A Reuters avaliou que as revelações “abalam a confiança em algumas das instituições mais poderosas do Brasil” e ameaçam arrastar o Banco Central ainda mais para o centro do escândalo, que começou com a maior falência bancária do país em uma geração.
A cobertura internacional também relembrou as “intervenções incomuns” do Tribunal de Contas da União (TCU) e do STF questionando a liquidação do Master, apesar de nenhum dos órgãos ter autoridade de supervisão bancária.
Vorcaro foi preso novamente na última quarta-feira (4) no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero e, após decisão do ministro do STF André Mendonça, deve ser transferido para uma penitenciária federal de segurança máxima em Brasília.