O governo brasileiro elevou, em fevereiro de 2026, o imposto de importação para mais de mil produtos, incluindo smartphones. O objetivo declarado é incentivar a competitividade da indústria nacional. O aumento pode chegar a até 7,2 pontos percentuais, impactando diretamente os consumidores que compram aparelhos importados.

A medida, no entanto, não afeta os smartphones produzidos no Brasil, que representam 95% dos aparelhos vendidos no país, segundo o governo. Os outros 5% são importados, a maioria da China.

Quais marcas são impactadas?

As principais fabricantes do mercado, como Samsung, Motorola e Apple, já realizam a montagem de seus celulares em território nacional. Portanto, os aparelhos dessas marcas comercializados no Brasil não devem sofrer alteração de preço devido à nova alíquota.

Empresas como a Apple, que não possui fábrica própria no país, mantêm acordos com montadoras (como a Foxconn) para a produção local. A Samsung também confirmou que seu novo topo de linha, o Galaxy S26, será montado no Brasil.

A marca que pode sentir os efeitos da medida é a Xiaomi, que não possui operações de montagem ou fabricação no Brasil e vende aparelhos diretamente importados.

Como o cálculo funciona na prática?

Um especialista consultado ilustrou o impacto: considerando um celular importado no valor de US$ 600 (cerca de R$ 3.000, com câmbio a R$ 5,00), um aumento de 7,2 pontos percentuais no imposto de importação (de 16% para 23,2%) elevaria o tributo de R$ 480 para R$ 696. Isso significa um custo inicial adicional de R$ 216 apenas na fase de importação.

É importante ressaltar que este não é necessariamente o preço final ao consumidor, pois sobre esse novo custo incidem margens do importador, logística, tributos internos e margem do varejo.

Contexto e justificativa do governo

De acordo com o Ministério da Fazenda, a mudança busca “reequilibrar os preços” entre produtos estrangeiros e nacionais, dado que o mercado brasileiro de eletrônicos ainda tem forte dependência externa. A China é a origem de 46% dessas importações.

A estimativa do governo é de uma arrecadação adicional de R$ 14 bilhões em 2026 com o aumento do imposto sobre os mais de mil produtos da lista, que inclui, além de celulares, itens como turbinas, robôs industriais, aparelhos médicos e tratores.