A escalada das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã tem colocado os mercados globais em alerta. Especialistas avaliam que um eventual conflito ou aumento significativo das hostilidades pode desencadear movimentos importantes no dólar, nos preços do petróleo e nas bolsas de valores ao redor do mundo.
Fortalecimento do Dólar como Refúgio
Em cenários de instabilidade geopolítica, o dólar americano tende a se fortalecer. Este movimento, conhecido como “flight to quality” (voo para a qualidade), ocorre quando investidores buscam ativos considerados mais seguros. A moeda americana, por sua liquidez e status de reserva global, é um dos principais destinos. Em um contexto de tensão com o Irã, é esperada uma migração de capital de aplicações mais arriscadas, como ações, para o dólar, pressionando sua cotação para cima.
Um risco adicional que poderia valorizar ainda mais a moeda seria qualquer ameaça ao Estreito de Ormuz, rota crítica para cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. A desestabilização dessa passagem, embora considerada de baixa probabilidade devido à presença militar americana, é um fator de apreensão no mercado.
Pressão de Alta nos Preços do Petróleo
O Irã é um dos maiores produtores mundiais de petróleo e membro da OPEP. Qualquer conflito que ameace sua infraestrutura de produção ou o fluxo marítimo no Golfo Pérsico tem o potencial de reduzir a oferta global de crude. Especialistas apontam que interrupções no Estreito de Ormuz poderiam elevar o preço do barril para patamares próximos a US$ 80, contra os atuais US$ 70.
Além do impacto direto, uma alta sustentada do petróleo poderia reacender pressões inflacionárias globais, complicando os planos dos bancos centrais e potencialmente adiando cortes nas taxas de juros. No entanto, o mercado atual conta com um excedente de oferta e o Irã já opera sob pesadas sanções, fatores que podem limitar a magnitude e a duração de um eventual choque de preços, diferenciando-o do impacto causado pela guerra na Ucrânia.
Turbulência nos Mercados Acionários
Ativos de risco, como ações – especialmente em mercados emergentes –, tendem a sofrer em períodos de incerteza geopolítica aguda. A combinação potencial de um dólar mais forte, petróleo caro e juros elevados cria um ambiente desfavorável para os lucros corporativos e a aversão ao risco dos investidores.
A magnitude e a duração das correções nas bolsas dependeriam diretamente da escala e do alcance de um eventual conflito. Setores mais sensíveis, como o de energia, poderiam ver suas projeções de lucro revisadas, enquanto a volatilidade geral do mercado aumentaria. A chave para os investidores será monitorar se as hostilidades se limitariam a um ataque pontual ou se evoluiriam para um conflito mais prolongado com riscos de retaliações regionais.
Em resumo, enquanto a possibilidade de uma guerra prolongada entre EUA e Irã não é considerada o cenário mais provável, a simples tensão já é suficiente para realocar capitais, pressionar commodities e aumentar a aversão ao risco, exigindo atenção redobrada dos participantes do mercado financeiro global.