O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou janeiro de 2026 com uma valorização superior a 12%, registrando o melhor desempenho para o mês em duas décadas. Com oito recordes de fechamento já no início do ano e uma alta de 43% em 12 meses, o mercado acionário vive um momento de forte otimismo, impulsionado pela expectativa de cortes na taxa Selic e pela retomada do fluxo de capital estrangeiro.
Diante desse cenário, muitos investidores se perguntam se ainda vale a pena entrar na bolsa após uma valorização tão expressiva ou se o “bonde já passou”. Especialistas ouvidos pelo g1 acreditam que ainda há oportunidades, mas com uma abordagem mais seletiva.
Por que ainda pode valer a pena investir?
Para Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, a realização de lucros (“take profit”) é um movimento natural do mercado e pode, inclusive, criar novas oportunidades de entrada. “Não é porque o Ibovespa subiu muito que todos os papéis também se valorizaram da mesma forma. Por isso, a seletividade nas ações continua sendo importante”, afirma.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, ressalta que as condições macroeconômicas são favoráveis, com expectativa de crescimento do PIB e um ciclo de redução de juros à frente. “Com esse ciclo de redução dos juros, as companhias podem registrar ganhos — o que, por sua vez, tende a valorizar suas ações, especialmente no comércio e na indústria, setores mais afetados pela alta da taxa de juros”, explica.
Quais setores têm maior potencial?
Os especialistas apontam setores específicos que podem se beneficiar nos próximos meses:
- Setor Bancário: Beneficiado pela margem de lucro nas operações de crédito, expansão do crédito e queda futura dos juros. Ações como Itaú, Bradesco e BTG Pactual tiveram altas expressivas no último ano.
- Commodities: A expectativa de crescimento da economia chinesa e a força da economia dos EUA devem aquecer a demanda por minérios e petróleo, beneficiando empresas como Vale e Petrobras.
- Construção Civil e Consumo: Setores tradicionalmente sensíveis aos juros, que podem se recuperar com a queda da Selic.
E a renda fixa? Continua atrativa?
Mesmo com a projeção de cortes na Selic, partindo de 15% ao ano para patamares próximos de 12,25% até o fim de 2026, a renda fixa deve manter sua atratividade. Antônio Sanches, analista da Rico, destaca que títulos como Tesouro Direto, CDBs, LCIs e LCAs oferecem previsibilidade e segurança, especialmente para investidores conservadores ou com objetivos de curto prazo.
“A renda fixa continua bastante atrativa, assim como os títulos pós-fixados, especialmente para objetivos de curto prazo ou para investidores conservadores que buscam previsibilidade na rentabilidade”, afirma Sanches. Ele reforça a importância da diversificação da carteira para mitigar riscos.
Conclusão: diversificação e análise são chaves
O momento atual da bolsa brasileira apresenta oportunidades, mas exige cautela e estudo. A combinação de um cenário macroeconômico favorável, com cortes de juros no horizonte e economia em recuperação, cria um ambiente propício para a renda variável. No entanto, a escolha de setores e empresas específicas, aliada a uma carteira diversificada que também inclua ativos de renda fixa, parece ser a estratégia mais recomendada pelos especialistas para navegar no atual mercado.