Ibovespa encerra 2025 com maior alta anual desde 2016
O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, deve fechar o ano de 2025 com uma valorização superior a 32%, podendo chegar a 33%. Este é o maior avanço anual desde 2016, quando o índice subiu 38,9%, de acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta. O desempenho ocorre em um cenário desafiador, com a taxa Selic encerrando o ano em 15% ao ano – o maior patamar em duas décadas.
A B3 registrou 32 recordes de fechamento do Ibovespa em 2025, o maior número desde 2019. Especialistas apontam uma combinação de fatores internos e externos para explicar a robusta performance do mercado acionário brasileiro.
Os motores da alta: fatores externos em destaque
O cenário internacional foi decisivo. Os três cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) em 2025, que reduziram a taxa básica americana para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, foram um vetor central. Juros mais baixos nos EUA diminuem o atrativo dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), considerados os mais seguros do mundo, levando investidores a buscar retornos superiores em mercados emergentes como o Brasil.
“Com esse conjunto de fatores, perde força a ideia de os EUA serem uma reserva de valor, e investidores passam a buscar alternativas”, analisa Lauro Sawamura Kubo, gestor da Patagônia Capital. Ele cita ainda o aumento do receio com as contas públicas dos EUA, agravado pela mais longa paralisação do governo (shutdown) da história, e as tensões políticas em torno do ex-presidente Donald Trump.
“Não se trata de uma perda de protagonismo dos EUA, mas de uma redistribuição. A alocação em Treasuries estava muito acima do nível neutro, e isso beneficia mercados como o brasileiro”, complementa Harrison Gonçalves, do CFA Society Brazil.
Resiliência brasileira e ações “baratas”
Internamente, dois fatores se destacaram. Primeiro, a resiliência da economia brasileira frente às tensões comerciais e ao “tarifaço” de Trump, com o país conseguindo remanejar exportações e, posteriormente, obter a retirada de sobretaxas para diversos produtos, como café e carne.
Segundo, a percepção de que ações de empresas brasileiras sólidas estavam negociadas a preços atrativos, abaixo de seu potencial, especialmente se comparado a mercados que já haviam se recuperado mais fortemente pós-pandemia.
“O ‘pessimismo mal dimensionado’ ficou para trás, e grandes empresas brasileiras se mostraram sólidas, atraindo investidores que passaram a enxergar suas ações como ‘pechinchas'”, afirma Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
Expectativas para 2026 e o fator eleitoral
Apesar dos juros domésticos historicamente altos, o mercado financeiro opera com antecipação. A perspectiva de cortes da Selic em 2026 – com projeções apontando para 12,25% ao ano no fim do próximo ano – já alimenta otimismo. “O fato de a bolsa se valorizar mesmo em um ambiente de juros ainda elevados indica que o mercado está olhando para o médio e longo prazo”, observa Harrison Gonçalves.
No entanto, 2026 será um ano eleitoral, o que deve trazer volatilidade. O anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, causou um recuo abrupto no mercado. Analistas veem a polarização como um elemento de tensão adicional, que pode dificultar a convergência em torno de um candidato de centro-direita e adiar debates sobre ajustes fiscais mais profundos.
Ainda assim, há espaço para otimismo cauteloso. “A possível combinação de cortes na taxa Selic e de alternância no ciclo político pode levar a bolsa a atingir os 200 mil pontos no próximo ano”, avalia Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, ressaltando que cenários adversos podem frustrar essa projeção.
Fonte: Informações baseadas em reportagem do G1. Leia a matéria original aqui.