O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), enfrenta um cenário inédito de resistência política para aprovar o socorro financeiro ao Banco de Brasília (BRB). Diferente do que ocorreu em anos anteriores, a oposição agora não é o único obstáculo; deputados da própria base aliada do governador também se mostram reticentes em votar o projeto.
O texto em análise na Câmara Legislativa do DF (CLDF) autoriza o uso de 12 terrenos públicos como garantia na operação de resgate ao banco estatal, controlado pelo governo distrital. A votação está marcada para a próxima terça-feira (24).
“Não há consenso. Aliados se rebelaram e não querem votar”, revelou um importante nome da base governista, sob condição de anonimato. A insatisfação é atribuída ao desgaste político gerado pelo escândalo BRB/Master, aprovado rapidamente pela mesma bancada em 2025. Após a crise, muitos parlamentares têm sido cobrados por eleitores.
O rombo que motiva o socorro foi causado pela compra, pelo BRB, de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem lastro do extinto Banco Master. O Banco Central determinou um provisionamento de R$ 2,6 bilhões para cobrir as perdas.
No ambiente de bastidores, aliados de Ibaneis afirmam que os pedidos por cargos e benesses em troca de apoio político “se multiplicam” em situações como esta. “Vai ser preciso atender pedidos”, disseram. Há um consenso entre a base de que o ideal seria encerrar o assunto rapidamente para estancar o desgaste.
Um apoio certo ao governador vem do presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), que recentemente arquivou quatro pedidos de impeachment contra Ibaneis e deve atuar para acalmar os ânimos dos colegas.
O resultado das intensas negociações em curso será conhecido na sessão plenária da próxima semana.