Um homem que não era alvo inicial da Polícia Federal passou a ser investigado após arremessar uma mala com dinheiro pela janela do 30º andar de um prédio em Balneário Camboriú, Santa Catarina. O episódio ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.

Segundo a PF, foram recolhidos R$ 429 mil espalhados no chão. A ação faz parte da terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro ligados à gestão de recursos do Rioprevidência, fundo de previdência do Estado do Rio de Janeiro.

Além do dinheiro, foram apreendidos dois veículos de luxo e dois celulares. Um dos carros, uma BMW branca, era usada pelo ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, e estava registrada em nome de uma empresa dos irmãos Rodrigo Schmitz e Rafael Schmit. Três dias após a primeira fase da operação, houve tentativa de transferir o veículo para terceiros.

Nesta etapa, os agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Balneário Camboriú e Itapema. As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas.

Na semana passada, o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso por agentes da PF e da PRF em Itatiaia (RJ), após retornar dos Estados Unidos. Ele é suspeito dos mesmos crimes.

A Operação Barco de Papel apura supostas irregularidades na aquisição de letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição recentemente liquidada pelo Banco Central. De acordo com as investigações, entre novembro de 2023 e julho de 2024, a RioPrevidência teria investido cerca de R$ 970 milhões no banco.

As investigações continuam para apurar responsabilidades e eventual prática de crimes contra o sistema financeiro nacional.