Os cariocas elegeram o chope como parte de um modo de vida que inclui bate-papo com amigos, convívio com vizinhos, paquera e torcida pelo time do coração. A bebida, uma cerveja não pasteurizada e tirada na hora sob pressão, é um patrimônio cultural nacional.
A história do chope no Brasil começa em 1808, com a chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro. O príncipe regente Dom João ordenou a instalação das primeiras cervejarias na Serra Fluminense, onde o clima mais ameno permitia controlar a fermentação, impossível no calor da capital.
Por muitos anos, a bebida foi artigo de luxo, acessível apenas às elites. A produção nacional só decolou com a chegada de migrantes alemães a partir de 1824, que trouxeram conhecimento e técnicas. Um anúncio de 1836 no Jornal do Commercio marcou o início da produção industrial da “cerveja brasileira”.
Com a urbanização e o barateamento da produção, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, o chope se popularizou. A fusão da Brahma e Antarctica, criando a Ambev, e investimentos massivos em marketing consolidaram a bebida no cotidiano.
Hoje, o Brasil é o terceiro maior mercado global de cerveja. O chope, em particular, tornou-se centro de uma verdadeira subcultura, com epicentro no Rio de Janeiro, mas presente em bares tradicionais de São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador.
A fama do chope reside em suas características únicas: é servido “estupidamente gelado”, uma regra não escrita nos botequins, e sua falta de pasteurização preserva mais o sabor, sendo considerado uma “cerveja viva”. Locais como o Bar Amarelinho, na Cinelândia (RJ), que opera desde 1921, são ícones nacionais da bebida.
A bebida também ecoa na cultura popular. Aparece na peça “O Império da Lei” (1883) e se imortalizou no rock nacional com a música “Você não soube me amar”, da banda Blitz, onde o diálogo “Garçom, uma cerveja / Só tem chope” se tornou célebre.
Associado a papo, futebol e samba, o chope disputa com a cerveja engarrafada o título de bebida nacional, representando muito mais que uma simples refrescância: é um símbolo de convívio e identidade brasileira.