O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu publicamente a atuação do Banco Central (BC) na liquidação do Banco Master, classificando o caso como o que pode ser a “maior fraude bancária” da história do país. Em declarações a jornalistas, Haddad afirmou manter contato diário com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para dar total respaldo institucional ao processo.
A liquidação do Master foi decretada em novembro de 2025 após a descoberta de operações fraudulentas envolvendo a venda de carteiras de crédito para o Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 12,2 bilhões. O BC considerou a medida indispensável para proteger o sistema financeiro e a poupança popular.
Coordenação com o TCU e investigações conexas
Haddad também informou ter dialogado com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo. Após uma reunião entre Galípolo e Vital do Rêgo, o BC retirou um recurso que impedia uma inspeção do TCU sobre o caso, estabelecendo um entendimento que concilia a fiscalização da corte com a autonomia do banco central.
O ministro destacou uma possível conexão entre o caso Master e a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025 para investigar um esquema de fraude tributária e lavagem de dinheiro supostamente ligado ao PCC no setor de combustíveis. “Tem uma conexão que está sendo apurada entre os dois casos”, afirmou Haddad.
Defesa robusta da atuação do BC
Esta não é a primeira vez que Haddad sai em defesa do Banco Central. Ele reiterou sua confiança no trabalho “tecnicamente muito robusto” realizado pela equipe de Galípolo. “Estou absolutamente seguro do trabalho que o Galípolo e equipe fizeram”, ponderou.
Com a liquidação extrajudicial, as atividades do Master foram interrompidas, sua diretoria foi afastada e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir os investidores dentro dos limites legais.
Contexto das contas públicas em 2025
Em outro tópico da coletiva, o ministro comentou as contas do governo. Dados preliminares do Tesouro Nacional indicam que a meta fiscal para 2025 deve ser cumprida pelo terceiro ano consecutivo, com um déficit projetado de 0,1% do PIB. Considerando exclusões permitidas pelo arcabouço fiscal, como precatórios, o resultado negativo pode chegar a 0,48% do PIB, ainda dentro da banda de tolerância da regra.
Haddad enfatizou que a incorporação dos precatórios no cálculo visa dar mais transparência e segurança de que o resultado “não é maquiado”.
Fonte: G1