O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta terça-feira (10) que deixará o comando da pasta na próxima semana. A previsão é que o secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, assuma a função após a saída de Haddad.
“Devo deixar o governo na semana que vem”, declarou o ministro. Sobre uma possível candidatura, Haddad afirmou: “Estamos conversando, estudando a que concorrer. Ainda vamos discutir. Não é só a candidatura, temos que ver o grupo de pessoas que vão compor a chapa, estamos vendo tudo isso com os cuidados devidos”.
Pela legislação eleitoral brasileira, ministros que desejam disputar eleições precisam se desincompatibilizar — ou seja, deixar seus cargos oficiais — até seis meses antes da votação, o que neste ano ocorre no início de abril.
Segundo apurações, apesar de ter demonstrado resistência inicial, Haddad deve aceitar o pedido do presidente Lula, que disse precisar dele na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Já anunciei há bastante tempo a minha intenção de deixar o governo. Tenho conversado com o presidente [Lula] sobre São Paulo, vou ter uma conversa também com o vice-presidente Alckmin, com a Simone [Tebet], temos que ver como esse grupo pode ajudar, tanto a qualificar o debate em São Paulo, quanto jogar luz sobre as diferenças entre o governo atual e o governo passado no plano federal”, explicou Haddad.
O acirramento da disputa presidencial, especialmente após a divulgação da pesquisa Datafolha no último sábado (7), teria sido o argumento final para convencer o ministro a deixar o cargo.
Haddad argumentava, em conversas internas do governo, que Lula estava em situação mais positiva na corrida presidencial do que em 2022. No entanto, pesquisas recentes têm mostrado um segundo turno muito apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro, tornando a presença de Haddad na disputa em São Paulo — maior colégio eleitoral do país — fundamental para o governo.
Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (8) pelo jornal “Folha de S.Paulo” aponta que o governador Tarcísio de Freitas lidera de forma isolada todos os cenários testados para o governo de São Paulo no primeiro turno das eleições de 2026, aparecendo sempre com mais de 40% das intenções de voto.
Em um cenário de primeiro turno contra Fernando Haddad, Tarcísio aparece na frente com 44% das intenções de voto. O instituto entrevistou 1.608 eleitores de 16 anos ou mais em 71 municípios entre os dias 3 e 5 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.