O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta terça-feira (3) que indicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o nome do secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para uma vaga na diretoria do Banco Central. No entanto, Haddad ressaltou que a decisão final ainda não foi tomada pelo presidente da República e criticou o vazamento da informação para a imprensa.

“De lá para cá, não voltamos a conversar. E três semanas atrás, ele [Lula] disse para mim que ia nos chamar para conversar, mas ele não tomou a decisão. O vazamento, se a pessoa quis ajudar, não ajudou”, declarou Haddad em entrevista à Band News.

A possível indicação de Mello, cujo perfil é visto como desenvolvimentista, gerou apreensão entre analistas do mercado financeiro, preocupados com o ritmo de corte da taxa de juros e o controle da inflação.

Haddad também informou ter indicado para outra vaga no BC o professor catedrático da Universidade de Cambridge, Tiago Cavalcanti.

As duas vagas na diretoria do Banco Central foram abertas no início deste ano, após a saída dos últimos diretores indicados pelo governo anterior. Com a autonomia da instituição, os diretores têm mandato fixo de quatro anos.

O cargo de diretor de Política Econômica, especificamente, é considerado chave na definição da taxa básica de juros (Selic). O Banco Central já sinalizou que deve iniciar um ciclo de cortes na taxa a partir da reunião de março do Copom.