O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira (10) que o governo evite o que chamou de “decisões açodadas” em resposta à disparada do preço do petróleo, um movimento que, se mantido, pode contaminar a inflação via aumento dos combustíveis.

Questionado se a forte alta do petróleo poderia prejudicar a expectativa de corte de juros pelo Banco Central (BC) na próxima semana, Haddad lembrou a reação inicial ao “tarifaço” do ex-presidente dos EUA Donald Trump, que gerou pânico, mas cujos efeitos foram posteriormente revertidos em parte. “Nós não podemos correr risco de tomar decisões açodadas”, afirmou.

O ministro, no entanto, foi enfático ao reafirmar a autonomia do BC nas decisões sobre a taxa básica de juros (Selic). “O Banco Central é autônomo, independente, tanto do governo quanto do mercado”, disse. Ele comparou a atuação do BC à administração de uma dose de remédio (juros) para uma doença (inflação), baseada em dados e expectativas.

Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, maior patamar em quase 20 anos. Em janeiro, o BC sinalizou o início de um ciclo de cortes, com reunião marcada para a próxima semana. O mercado, que esperava uma redução de 0,50 ponto percentual, já precifica um corte menor, de 0,25 ponto, para 14,75% ao ano, devido à guerra no Oriente Médio e seus impactos nos preços do petróleo.

Após ultrapassar US$ 120, o preço do barril recuou nesta terça-feira após declarações de Trump sobre um possível fim breve do conflito. Haddad destacou a volatilidade: “Você veja como o preço do petróleo está oscilando dia a dia. Você não pode, com base nisso, já ir tomando decisões estruturais”.

Economistas ouvidos pelo g1 alertam que a guerra pressiona o petróleo e o dólar, o que pode elevar custos de combustíveis, energia e transportes, contaminando as projeções inflacionárias para os próximos anos. O Comitê de Política Monetária (Copom) toma decisões com horizonte de longo prazo, buscando a meta de inflação de 3% até 2027. Se o impacto da guerra for duradouro, pode limitar a intensidade e o ritmo dos cortes de juros no país.