O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (21) que o Brasil é “grande demais para ser quintal” de qualquer nação e defendeu o estabelecimento de uma relação “madura” com os Estados Unidos. A declaração ocorre após a Suprema Corte norte-americana derrubar as sobretaxas de 40% impostas pelo governo de Donald Trump, que afetavam 22% das exportações brasileiras.
Em resposta à decisão judicial, Trump anunciou a criação de uma tarifa global temporária de 10%, que também se aplicará a produtos do Brasil. Haddad, em entrevista durante evento na Índia, minimizou o impacto, afirmando que a competitividade brasileira não será afetada e que o país está construindo uma “ponte robusta” para restabelecer os laços com os EUA.
“Tudo o que nós queremos, em relação à Ásia, à Europa e aos Estados Unidos, é ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro”, declarou o ministro. “O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo.”
Haddad também elogiou a postura do Brasil durante a vigência das tarifas elevadas, classificando-a como “impecável”, e avaliou que a decisão da Suprema Corte beneficia todos os países impactados pela medida unilateral.
A cronologia das tarifas começou em abril de 2025, com Trump impondo uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros. Em julho, uma sobretaxa de 40% elevou a alíquota total para 50% sobre diversos itens, embora com uma extensa lista de exceções. Após negociações diretas entre Trump e o presidente Lula, parte dessas sobretaxas foi removida em novembro.
Com as mudanças mais recentes, o cenário atual, segundo especialistas, é de uma tarifa de 10% sobre a maioria dos produtos brasileiros, mantendo-se alíquotas elevadas de 50% para setores específicos como aço e alumínio, às quais se somam os novos 10% globais.