O hacker Walter Delgatti Neto, preso desde o ano passado na unidade prisional de Tremembé (SP), conhecida como ‘presídio dos famosos’, recebeu autorização para sua primeira saída temporária desde que foi condenado.
Em documento protocolado nesta segunda-feira (9), o chefe da divisão da P2 de Tremembé autorizou que Delgatti usufrua do benefício. A saída está prevista para começar na próxima terça-feira (17), com monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Além de Delgatti, outros detentos da P2 de Tremembé que cumprem pena em regime semiaberto também terão direito ao benefício. Os presos deverão retornar à unidade até as 15h do dia 23 de março.
Delgatti chegou à P2 de Tremembé em fevereiro do ano passado. Em dezembro, ainda no regime fechado, foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim, também no Vale do Paraíba. No início deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou o hacker a progredir para o regime semiaberto, retornando então à unidade de Tremembé.
Em nota, a defesa de Walter Delgatti ressaltou que o benefício da saída temporária é o cumprimento da Lei de Execução Penal após ele ‘preencher os requisitos objetivos e subjetivos exigidos, incluindo excelente comportamento carcerário’.
‘Esta etapa é parte natural e fundamental do seu processo de ressocialização. Durante o período, ele se dedicará ao convívio familiar e retornará à unidade prisional rigorosamente dentro do prazo estipulado pela Justiça’, acrescentou a defesa.
Contexto da condenação
Delgatti foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 8 anos e 3 meses de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos, como uma ordem de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes ‘assinada’ por ele mesmo.
De acordo com a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR), a invasão do CNJ foi feita em janeiro de 2023 com o objetivo de tirar a credibilidade do Judiciário e reforçar questionamentos à eleição de 2022.
Antes de ser preso pela invasão do CNJ, Delgatti já tinha sido condenado em primeira instância a 20 anos de prisão por hackear autoridades públicas da antiga Operação Lava Jato. Nesse caso, investigado na Operação Spoofing, o hacker responde em liberdade porque ainda há recursos pendentes na segunda instância da Justiça Federal em Brasília.