O Grupo Fictor protocolou, neste domingo (1), um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest. A medida visa reequilibrar as operações e assegurar o pagamento de compromissos financeiros que somam cerca de R$ 4 bilhões.
Em comunicado, o grupo afirmou que pretende quitar as dívidas “sem nenhum deságio” (desconto) e solicitou à Justiça um prazo de 180 dias para suspender cobranças e bloqueios. O objetivo declarado é criar um ambiente de negociação estruturada e garantir a continuidade das atividades sem interrupções.
A empresa relaciona a crise de liquidez diretamente ao episódio envolvendo o Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) em 18 de novembro de 2025. Um consórcio liderado por um dos sócios do grupo havia anunciado uma proposta para adquirir o banco, mas a operação foi suspensa após a decisão da autoridade monetária.
Segundo a Fictor, a decretação da liquidação do Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, atingiu a reputação do grupo com um grande volume de notícias negativas e especulações, impactando duramente a liquidez das empresas. A companhia ressaltou que, desde o início de suas operações, não havia registrado atrasos de nenhuma natureza.
Diante da crise, o grupo colocou em prática um plano de reestruturação que incluiu a redução da estrutura física e do número de funcionários, ação tomada antes do pedido de recuperação judicial para “proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas”.
Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua nos setores de indústria alimentícia, energia, infraestrutura e soluções de pagamento. No pedido à Justiça, a empresa destacou que a recuperação judicial não inclui as subsidiárias, que devem manter suas rotinas e contratos normalmente, com o objetivo de “evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas do processo recuperacional”.