Após a crise do Banco Master, que resultou em um rombo estimado de R$ 60 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), os grandes bancos do país estão em negociações com o Banco Central para reformar o modelo regulatório. O objetivo central é aumentar a responsabilidade de instituições financeiras menores que realizam operações de alto risco e das plataformas que comercializam seus produtos.

A proposta parte do princípio de que bancos que oferecem maior risco devem contribuir para o FGC na proporção do risco gerado. Atualmente, na visão dos grandes bancos, expor-se ao risco é um bom negócio, pois as contribuições não são suficientes para frear operações arriscadas. Na crise do Master, um banco de menor porte foi liquidado e o prejuízo foi socializado com todo o sistema.

As negociações também visam incluir as plataformas de investimento. A ideia é que essas plataformas, que hoje ganham comissões elevadas sem assumir riscos, tenham maior responsabilidade. As propostas incluem a criação de uma espécie de certificação para os produtos de bancos pequenos que vendem, com alertas claros sobre os riscos envolvidos, e o aumento de suas contribuições para o FGC.

A direção do FGC e executivos dos grandes bancos vinham alertando o Banco Central desde 2024 sobre as operações arriscadas do Master. O desfecho com a liquidação extrajudicial da instituição pelo BC deu razão aos alertas. A liquidação extrajudicial é o processo em que o Banco Central encerra as atividades de um banco sem condições de operar, um liquidante assume o controle, vende os bens e paga os credores até extinguir a instituição.

O Fundo Garantidor de Créditos é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da sua estabilidade, garantindo os recursos dos depositantes em caso de crise de uma instituição.