O Ministério da Fazenda estima uma arrecadação adicional de R$ 14 bilhões em 2026, resultado do aumento do Imposto de Importação aplicado a mais de mil produtos. A medida, implementada em novembro de 2025, tem como objetivo declarado proteger a indústria nacional e reequilibrar as contas públicas.
Entre os itens mais impactados estão smartphones, freezers e painéis indicadores com tecnologia LCD ou LED. A taxação sobre esses e outros bens de capital, informática e telecomunicações foi elevada em até 7,2 pontos percentuais.
Contexto e Justificativa Oficial
Segundo nota técnica do Ministério da Fazenda, a decisão foi tomada diante de um crescimento acumulado de 33,4% nas importações de bens de capital e informática desde 2022. O governo argumenta que a penetração desses produtos importados no consumo nacional superava 45% em dezembro de 2025, nível considerado uma ameaça à cadeia produtiva nacional.
A pasta classifica a medida como “moderada e focalizada”, necessária para “reequilibrar preços relativos, mitigar a concorrência assimétrica e reduzir a vulnerabilidade externa”. O governo também afirma que a ação se alinha a práticas internacionais, citando que vários países recorrem a instrumentos tarifários para corrigir distorções de mercado.
Impactos e Reações do Mercado
Importadores criticam a medida, alertando para potenciais impactos na competitividade das empresas e na inflação. Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, avalia que o aumento do custo de máquinas, peças e tecnologia essenciais compromete projetos de modernização e afeta a produtividade da indústria brasileira.
O grupo projeta que o encarecimento pode se refletir em diversos setores, desde o preço de eletrodomésticos e manutenção de equipamentos hospitalares até o custo de obras de infraestrutura.
Contraponto do Governo e Regime Especial
O Ministério da Fazenda minimiza o efeito inflacionário, argumentando que se trata majoritariamente de bens de produção e que o impacto no IPCA seria “baixo e defasado”. A expectativa oficial é de que a medida incentive a substituição competitiva por produtos nacionais.
Paralelamente ao aumento geral, o governo abriu uma janela até 31 de março para que empresas solicitem a redução temporária da alíquota para zero em produtos anteriormente beneficiados, com concessões válidas por até 120 dias.
Panorama Internacional e Produtos Afetados
A decisão ocorre em um contexto de revisão de políticas protecionistas globais. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou parte do amplo aumento tarifário imposto durante o governo Trump, medida que o Brasil vinha criticando.
Além dos já citados, a lista de produtos com tarifas elevadas inclui uma vasta gama de itens: reatores nucleares, turbinas, motores de aviação, robôs industriais, máquinas de impressão, tratores, equipamentos médicos de diagnóstico por imagem e aparelhos dentários, entre outros.