O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para avaliar a necessidade de medidas frente à escalada do preço do barril de petróleo, impulsionada pela crise no Oriente Médio. No entanto, o ministro foi enfático ao descartar qualquer intervenção do governo federal na Petrobras, classificando tal medida como “irresponsável”.

“Nós vamos fazer como fizemos ontem à tarde: reunimos com o presidente Lula para podermos discutir que medidas tomaremos em algo que não depende da gente, mas que nós não seremos irresponsáveis de fazer intervenção em uma empresa de capital aberto, listada na bolsa de Nova York e que tem a sua governança própria”, declarou Silveira durante participação na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

O ministro também afastou o risco de desabastecimento de combustíveis no país e atribuiu os recentes aumentos nos preços em algumas regiões a uma “criminosa especulação”. “É naturalmente um momento de apreensão do mundo inteiro, não só do Brasil, porque nós vivemos um caos geopolítico, mas não tem risco de abastecimento e muito pelo contrário”, afirmou.

Para combater a especulação, Silveira anunciou ações de fiscalização. “O que há é uma criminosa especulação por parte dessas distribuidoras e dos revendedores. Por isso, nós vamos aplicar as multas devidas, vamos fiscalizar, vamos fazer operações, vamos envolver a Polícia Federal”, disse.

O Ministério de Minas e Energia criou uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para identificar rapidamente eventuais riscos ao fornecimento e coordenar ações para preservar a segurança energética. “O povo brasileiro pode nos ajudar é fiscalizar os abusos dos revendedores nos postos de gasolina e nós vamos fiscalizar com a ANP, Procon, Senacon, Polícia Federal e o Ministério das Justiças as distribuidoras”, defendeu o ministro.

O presidente Lula convocou reuniões com ministros no Palácio da Alvorada para discutir o tema, considerado de alta prioridade. Segundo relatos, há preocupação no governo com uma intensificação da especulação nos postos. “Estão aumentando o preço do combustível de uma maneira oportunista, sendo que não houve qualquer tipo de aumento na refinaria, querendo criar um pânico por conta do aumento do preço do petróleo devido ao ataque ao Irã”, relatou um ministro.

Desde o início das tensões no Oriente Médio, o preço do petróleo ultrapassou os US$ 100 por barril, atingindo o maior nível desde fevereiro de 2022. A alta ocorre em meio ao temor de restrições na oferta global, agravado pela possibilidade de fechamento de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.