Após a avaliação equivocada sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói, assessores do Palácio do Planalto reconhecem que o Carnaval do Rio de Janeiro pode ter efeitos negativos nas próximas pesquisas de opinião sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O eleitorado independente, que já mostrava sinais de reduzir o apoio ao petista, pode ser estimulado a mudar de lado com maior intensidade.

Enquanto isso, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem direcionado seu discurso para conquistar esse mesmo eleitor. Assessores presidenciais avaliam que, apesar do momento favorável do bolsonarista, ele voltará a ser alvo de ataques. “Ele vai voltar a ser vidraça, vai ser atacado, tem muitos pontos frágeis”, disseram.

O principal revés para o governo foi a ala da escola de samba que atacou a comunidade evangélica, justo quando a gestão tentava uma reaproximação com esse segmento. Para agravar a situação, a Acadêmicos de Niterói foi rebaixada no carnaval carioca.

Ao receber a camisa oficial da escola das mãos do presidente Wallace Palhares, Lula se associou publicamente à agremiação. A imagem foi amplamente explorada por adversários políticos após o rebaixamento.

Flávio Bolsonaro postou uma imagem da ala criticada com a palavra “REBAIXADA” e a legenda: “Quem ataca a família não merece aplauso”. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o rebaixamento demonstra “como o Lula está afundando o Brasil”. Já o líder do PL, Sóstenes Cavalcanti (RJ), resumiu: “Lula rebaixado”.

Na avaliação da equipe de Lula, os apoiadores de Jair Bolsonaro estão investindo alto para impulsionar essas críticas nas redes sociais. “Agora eles vão tripudiar sem dó o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, vão dizer que a escola recebeu o que merecia e que o governo Lula deveria ir junto”, previu um assessor.