Integrantes do governo Lula avaliam que a crise envolvendo o ministro Dias Toffoli e o Banco Master já contaminou a imagem do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores do Planalto, sugere-se que o ministro tire uma licença e se afaste temporariamente da Corte para tentar conter o desgaste institucional.

O discurso oficial é o de que o governo não vai se meter em assuntos internos do STF, mas há uma preocupação real de que julgamentos e decisões do tribunal passem a ser alvo de revisões e ataques. Isso é particularmente sensível em casos ligados aos atos golpistas de 8 de janeiro.

Além de defender o afastamento temporário, integrantes do Planalto também sustentam que a investigação sobre o Master deve ir até o fim. Em meio à crise, o presidente Lula conversou com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Reunião no STF e pressão por suspeição

O presidente do STF, Edson Fachin, convocou uma reunião com os ministros para apresentar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre a perícia no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master. Segundo o documento, há menções a Toffoli em mensagens extraídas do aparelho do banqueiro, investigado por fraudes bilionárias. O conteúdo dessas mensagens não foi divulgado.

No mesmo encontro, Fachin anunciou aos ministros a resposta enviada por Toffoli, que é relator do caso Master, sobre o documento da PF. Há grande pressão no tribunal para que Toffoli se declare suspeito e abra mão da relatoria das investigações do Master.

Interlocutores afirmam que Toffoli disse a Fachin que não vê conflito de interesses nem razões suficientes para deixar o caso. O Supremo informou que Fachin já enviou o relatório da PF para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Toffoli admite ser sócio de empresa que negociou com fundos do Master

Nesta quinta-feira, Toffoli admitiu ser sócio da empresa Maridt, administrada por seus irmãos. A empresa vendeu, em 2021, uma participação no resort Tayayá para fundos ligados ao Master, recebendo R$ 3,1 milhões pelo negócio. O ministro nega ser amigo de Vorcaro e afirma que nunca recebeu pagamentos do banqueiro.

Ainda nesta quinta, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou uma representação na PGR para que o órgão peça ao STF a suspeição do ministro Dias Toffoli. O objetivo é o afastamento imediato do magistrado da relatoria do inquérito que apura fraudes bilionárias no Master.