A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) solicitou formalmente ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que investigue os recentes aumentos nos preços da gasolina e do diesel em todo o país. O pedido ocorre mesmo sem que a Petrobras, principal fornecedora nacional, tenha anunciado qualquer alteração em sua política de preços.
Nos últimos dias, sindicatos do setor relataram aumentos ou previsões de alta para os combustíveis em diversas regiões. Esses reajustes são atribuídos à elevação do preço internacional do petróleo, que disparou após a intensificação do conflito no Oriente Médio, ultrapassando a marca de US$ 100 por barril.
De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30 entre o final de fevereiro e o dia 7 de março. No mesmo período, o diesel passou de R$ 6,03 para R$ 6,08.
O ofício da Senacon cita relatos de entidades como Sindicombustíveis-DF, Sulpetro (RS), Sindicombustíveis Bahia, Sindipostos-RN e Minaspetro (MG), que indicam que repasses de aumento às revendas já estão ocorrendo ou devem ocorrer em breve. Os valores reportados chegam a R$ 0,80 por litro no diesel e R$ 0,30 por litro na gasolina em alguns estados.
No Rio Grande do Sul, o Sulpetro registrou aumentos de até R$ 0,62 no diesel e R$ 0,30 na gasolina. Na Bahia, os reajustes atingiram 17,9% no diesel e 11,8% na gasolina. No Rio Grande do Norte, a gasolina subiu de R$ 2,59 para R$ 2,89 por litro, e o diesel S500 de R$ 3,32 para R$ 4,07.
O Cade, órgão federal responsável por zelar pela concorrência e prevenir práticas que prejudiquem o mercado, foi acionado para verificar se existem indícios de infrações à ordem econômica. A Senacon pede uma análise detalhada diante da discrepância entre os aumentos nas bombas e a estabilidade dos preços anunciados pela Petrobras.
A estatal, maior produtora nacional, adota desde 2023 um modelo de preços que considera cotações internacionais, custos e o mercado interno, promovendo ajustes graduais. Este modelo suaviza oscilações externas no curto prazo, adiando o repasse aos consumidores. O último ajuste oficial da gasolina ocorreu em janeiro de 2026, com redução de R$ 0,14 por litro. O diesel teve seu último reajuste em maio de 2025, com queda de R$ 0,16 por litro.
Analistas consultados apontam que a Petrobras tem mantido uma postura cautelosa durante a guerra e deve aguardar a estabilização dos preços internacionais em níveis elevados antes de realizar qualquer repasse de volatilidade ao mercado interno.