Os gastos de brasileiros no exterior atingiram um novo recorde em 2025, alcançando o maior patamar em 11 anos. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, as despesas somaram US$ 21,7 bilhões no ano passado, superando os US$ 19,7 bilhões registrados em 2024. Este é o valor mais alto desde 2014, de acordo com a série histórica revisada do BC, que tem início em 1995.
O crescimento ocorreu em um cenário de maior atividade econômica no país, com alta do Produto Interno Bruto (PIB) e da renda, combinado com uma significativa desvalorização do dólar frente ao real. Em 2025, a moeda norte-americana recuou 11,18%, a maior queda em quase uma década. A cotação mais baixa do dólar tornou passagens aéreas, hospedagens e compras no exterior relativamente mais baratas para os brasileiros.
Paradoxalmente, o aumento dos gastos aconteceu mesmo com a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de câmbio, anunciada pelo governo em maio de 2025. A alíquota para compra de moeda estrangeira em espécie e para remessas para contas no exterior subiu de 1,1% para 3,5%, equiparando-se à taxa incidente sobre compras com cartão de crédito, que também foi ajustada de 3,38% para 3,5%.
Enquanto isso, o Brasil também se destacou como destino turístico. Os gastos de estrangeiros no país bateram recorde pelo segundo ano consecutivo, somando US$ 7,8 bilhões em 2025. De acordo com o Ministério do Turismo, o país recebeu 9,29 milhões de turistas estrangeiros no período, o maior volume da série histórica.
O desempenho das contas externas em 2025 foi marcado por um superávit comercial de US$ 59,9 bilhões (metodologia do BC), inferior ao de 2024 (US$ 65,9 bilhões). A conta de serviços, que inclui viagens internacionais, registrou déficit de US$ 52,9 bilhões, enquanto a conta de renda primária (lucros, dividendos, juros) teve saldo negativo de US$ 81,3 bilhões.