O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, posicionou-se ao lado de líderes de instituições financeiras globais ao assinar uma declaração conjunta de apoio ao presidente do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, Jerome H. Powell. O manifesto surge em resposta a pressões públicas do ex-presidente Donald Trump por cortes mais rápidos na taxa de juros norte-americana e reafirma a independência técnica como pilar da estabilidade econômica mundial.
O documento, subscrito por autoridades monetárias de diversos países, enfatiza que a autonomia institucional é “fundamental para assegurar a estabilidade de preços e o bem-estar dos cidadãos, sempre sob a égide do Estado de Direito e da transparência democrática”. Ao assiná-lo, Galípolo alinha o Brasil a entidades como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco de Compensações Internacionais (BIS).
Tensão nos Estados Unidos
A declaração ocorre num momento de tensão para Jerome Powell. Nesta segunda-feira (12), o presidente do Fed confirmou que o Departamento de Justiça notificou a instituição com intimações de um grande júri, ameaçando apresentar uma acusação criminal relacionada ao seu depoimento ao Senado no ano passado sobre reformas em prédios históricos do banco central.
“Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilização em nossa democracia. Ninguém — certamente nem o presidente do Fed — está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”, declarou Powell, que deixa o cargo em maio.
Contexto brasileiro: a liquidação do Banco Master
No Brasil, a autonomia do Banco Central também está sob escrutínio. O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jonathan de Jesus, solicitou esclarecimentos ao BC sobre supostos indícios de uma liquidação “precipitada” do Banco Master, tendo sido decretado sigilo sobre o processo.
Em novembro do ano passado, o BC decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado após a rejeição de uma proposta de aquisição pelo BRB (Banco de Brasília). Investigadores do BC e da Polícia Federal identificaram negócios de venda de carteiras de crédito do Master para o BRB, no valor de R$ 12,2 bilhões, com suspeitas de fraude.
Recentemente, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Filho, reuniu-se com Gabriel Galípolo na sede do BC para “encontrar uma forma de conciliar o poder de fiscalização do TCU com a autonomia do BC”. De acordo com o ministro, o Banco Central concordou com a realização de uma inspeção técnica sobre o caso do Banco Master.
Fonte: G1