O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o caso do Banco Master gerou uma comoção desproporcional ao tamanho da instituição. Segundo ele, oferecer juros acima do mercado não é, por si só, motivo para intervenção, pois não existe regra que proíba bancos de captar recursos pagando taxas mais elevadas, como fazia o Master.
O problema central, explicou Galípolo durante evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), era a combinação de dificuldades de liquidez, dúvidas sobre a qualidade dos ativos e suspeitas envolvendo as carteiras de crédito do banco de Daniel Vorcaro.
“Muita gente comentava essa questão de captar acima do CDI. E, como se sabe, não existe nenhuma regra que proíba fazer captações a uma taxa como aquela. Tinha gente que cobrava que liquidasse o banco porque existiam CDBs sendo emitidos a uma taxa superior ao CDI. Não se trata disso”, disse o presidente do BC.
Galípolo comparou o Master a um “time da terceira divisão” e afirmou que a repercussão se explica pelo fato de o episódio ter extrapolado o debate financeiro, envolvendo suspeitas que exigiram atuação conjunta com autoridades de investigação, como a Polícia Federal e o Ministério Público.
O presidente do BC detalhou que o negócio bancário depende do equilíbrio entre o que a instituição paga aos investidores e o que recebe de quem toma empréstimos. No caso do Master, o debate público deveria ter se concentrado na qualidade dos ativos, e não apenas no custo de captação.
Sobre a política monetária, Galípolo afirmou que as sinalizações de corte de juros a partir de março não devem ser interpretadas como uma “volta da vitória” no combate à inflação. O BC entrou em uma fase de calibragem, observando dados para ajustar o grau de restrição necessário. Ele reconheceu melhora na trajetória inflacionária, mas destacou que a atividade econômica se mostrou mais resistente do que o esperado e que as expectativas de inflação seguem acima da meta, especialmente em prazos mais longos.