Os ministros dos países do G7 realizarão uma reunião virtual de emergência nesta segunda-feira (9) para discutir o impacto econômico da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, com foco na disparada dos preços do petróleo, que superaram a barreira de US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022.

A reunião, liderada pela França, que detém a presidência rotativa do grupo, deve avaliar uma possível liberação conjunta de reservas estratégicas de petróleo para conter a alta nos preços. Segundo o Financial Times, três países do G7, incluindo os EUA, já manifestaram apoio à medida.

A Agência Internacional de Energia (AIE) coordena um sistema coletivo de emergência com 32 países membros, que mantêm reservas estratégicas para crises no fornecimento. A grave interrupção no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, tem paralisado o tráfego há mais de uma semana, elevando os preços globalmente.

Nas bolsas asiáticas, o temor de um conflito prolongado provocou quedas acentuadas: o índice Nikkei 225 do Japão caiu mais de 5%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul chegou a recuar 8%, acionando o mecanismo de “circuit breaker” que paralisou as negociações por 20 minutos.

O analista Adnan Mazarei, do Instituto Peterson de Economia Internacional, afirmou que o aumento era esperado devido à paralisação da produção em países do Golfo e aos sinais de um conflito prolongado. “As pessoas estão percebendo que isso não vai acabar tão cedo”, disse.

Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou as preocupações em publicação na Truth Social: “Os preços do petróleo a curto prazo (…) são um preço muito pequeno a se pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo”. Seu secretário de Energia, Chris Wright, atribuiu os ataques à infraestrutura energética do Irã a Israel, em meio à preocupação com a gasolina nos EUA, onde o preço médio subiu 11% na semana passada.

No domingo, o Irã nomeou Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder supremo Ali Khamenei, como sucessor, sinalizando a continuidade da linha-dura no comando do país. A escolha pode ser controversa, pois a República Islâmica foi fundada sob o princípio de que o líder supremo não deve ser escolhido por sucessão hereditária. Trump já declarou oposição a Mojtaba Khamenei, afirmando que ele é “inaceitável”.

Os combates continuam intensos: EUA e Israel lançaram novas ondas de ataques aéreos no Irã, atingindo depósitos de petróleo, enquanto o Irã atacou infraestrutura energética em países vizinhos do Golfo. A Arábia Saudita afirmou ter interceptado drones que se dirigiam a um importante campo petrolífero.