Oito fundos previdenciários estaduais e municipais que aplicaram recursos em letras financeiras do Banco Master, alvo de liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025, apresentam déficit em seus balanços. A constatação é de um levantamento da GloboNews com base nos Demonstrativos de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) de 2025, disponibilizados pelo Ministério da Previdência Social.

Os 18 fundos previdenciários públicos identificados pelo ministério como credores do Master aplicaram, no total, R$ 1,86 bilhão no banco. Desse grupo, oito institutos estão em situação deficitária, conforme análise dos seus balanços mais recentes.

Para o advogado e professor de Direito Previdenciário Rômulo Saraiva, autor do livro “Fraude nos Fundos de Pensão”, é grave que fundos destinados a aposentados tenham sido direcionados para um investimento de alto risco. “Mesmo que o regime previdenciário esteja em superávit financeiro, não se justifica investir em papéis podres e num banco cujo mercado financeiro já apontava falta de reputação e lastro financeiro para honrar os compromissos. A análise de risco foi trocada pela ingerência política em vários fundos de pensão”, afirmou.

Os valores aplicados por fundos previdenciários e fundos de investimento no Master não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e integram a massa de credores na liquidação do banco.

Fundos em déficit e seus valores

  • IPREM de Santa Rita do Oeste (SP): R$ 988,4 mil
  • PreviPaulista (Paulista/PE): R$ 222,7 mil
  • Maceió Previdência (AL): R$ 299,4 milhões
  • Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (MS): R$ 124,8 milhões
  • ARARAPREV (Araras/SP): R$ 72,4 milhões
  • Rioprevidência (RJ): R$ 16,7 milhões (servidores civis) e R$ 8,7 milhões (militares)
  • Amazonprev (AM): R$ 751,1 milhões (servidores civis)
  • Amprev (AP): R$ 394,9 milhões (servidores militares)

Posicionamento dos fundos

Os fundos deficitários se manifestaram sobre os investimentos:

IPREM/SP: Afirmou que os investimentos “seguiram critérios técnicos e foram embasados por relatórios de consultorias especializadas”.

PreviPaulista: Disse que a compra foi realizada “na gestão anterior, em fevereiro de 2024”, e que auditorias apontam que o investimento foi feito “à revelia da governança interna, contrariando parecer da consultoria”. A atual gestão contratou um escritório de advocacia para adotar medidas judiciais.

Maceió Previdência: Declarou que, à época, o Banco Master “estava plenamente habilitado no Banco Central e no Ministério da Previdência, e contava com grau de investimento atribuído por renomada agência de risco”. Os investimentos foram aprovados pelo Conselho de Administração.

ARARAPREV: Informou que “estão sendo tomadas medidas cabíveis para resguardar os interesses dos aposentados e pensionistas”.

Rioprevidência: Comemorou uma decisão judicial que autorizou a “retenção e segregação de valores relacionados aos empréstimos consignados administrados pelo Banco Master”, visando evitar o perecimento do crédito de R$ 970 milhões.

Amazonprev: Afirmou que o investimento “não oferece quaisquer riscos ou interfere no pagamento de aposentados e pensionistas do estado do Amazonas”.

Amprev: Disse que a Justiça autorizou a retenção dos valores de empréstimos consignados que seriam repassados ao Master, que ficarão provisionados em conta específica sob fiscalização judicial.