O Presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou oficialmente que a França votará contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A posição foi comunicada à Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e será formalizada na reunião de embaixadores do bloco marcada para esta sexta-feira (9).

A declaração consolida a França como a principal voz de oposição ao pacto, citando preocupações com o setor agrícola nacional. Irlanda, Hungria e Polónia também se posicionaram contra, enquanto a Itália, inicialmente reticente, deu sinais de que poderá apoiar o texto.

Impactos para o Brasil e a resistência agrícola

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo representa o acesso privilegiado a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, com benefícios que se estendem para além do agronegócio, alcançando diversos segmentos industriais. O Itamaraty, contactado, não comentou a declaração de Macron.

A resistência francesa baseia-se no receio dos produtores rurais face à concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e sujeitos a padrões ambientais diferentes dos exigidos na UE. Macron já havia condicionado qualquer apoio à inclusão de novas salvaguardas para a agricultura, afirmando: “consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”.

Reforçando esta postura, o governo francês decretou a suspensão temporária, por um ano, das importações de certos produtos agrícolas da América do Sul que contenham resíduos de agrotóxicos proibidos na UE. A medida, que aguarda aval da Comissão Europeia, abrange itens como abacates, mangas e frutas cítricas.

Caminho para a assinatura e apoio crucial

Apesar da oposição declarada, a expectativa na UE é que a Comissão Europeia consiga reunir a maioria qualificada necessária para aprovar o acordo. Este requer o apoio de pelo menos 15 Estados-membros que representem 65% da população do bloco.

Do lado do apoio, Alemanha e Espanha mantêm uma posição firme a favor do tratado. O Chanceler alemão, Friedrich Merz, defende que o pacto é crucial para a credibilidade comercial da UE, ajudando a mitigar tarifas americanas e a reduzir a dependência da China.

Um apoio decisivo pode vir da Itália. Fontes indicam que o país deve votar a favor, após a Comissão Europeia sinalizar a aceleração na liberação de 45 mil milhões de euros em fundos para agricultores, medida considerada “positiva e significativa” pela primeira-ministra Giorgia Meloni.

O que está em jogo

Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas e estabelece regras comuns para comércio de bens, serviços, investimentos e propriedade intelectual. A sua assinatura criaria a maior área de livre comércio do mundo.

Caso obtenha o aval do Conselho da UE, a Presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, ficará habilitada a assinar formalmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai.

Fonte: G1