A França anunciou a suspensão da importação de frutas provenientes da América do Sul que contenham resíduos de cinco agrotóxicos proibidos na União Europeia. A medida, divulgada pela ministra da Agricultura, Annie Genevard, e pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, visa impedir a entrada indireta de substâncias banidas no território europeu.
Os produtos fitossanitários em questão são: mancozeb, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim. Uma ordem ministerial para formalizar a proibição será emitida nos próximos dias.
Quais frutas serão afetadas?
De acordo com o anúncio oficial, a suspensão abrange abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs originárias da América do Sul ou de outras regiões que não cumpram a nova norma. O governo francês afirmou que uma brigada especializada realizará verificações reforçadas nas fronteiras para assegurar o cumprimento das regras sanitárias.
“Não podemos aceitar que substâncias banidas aqui reapareçam indiretamente por meio das importações. É uma questão de bom senso”, declarou a ministra Genevard. O primeiro-ministro Lecornu descreveu a ação como “um primeiro passo para proteger nossas cadeias de suprimentos e nossos consumidores, e para combater a concorrência desleal”.
Impacto nas exportações brasileiras
A União Europeia é o principal destino das exportações de frutas do Brasil, responsável por 58,7% do volume exportado entre janeiro e novembro de 2025. No entanto, a França individualmente tem uma participação modesta nesse mercado, representando apenas 0,6% do total no mesmo período, conforme dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura brasileiro.
Dentre as frutas listadas, a França é um destino relevante para alguns produtos específicos:
- Goiaba: Terceira maior compradora, com 12% do volume exportado pelo Brasil.
- Abacate: Sexto maior destino, com 5,7% das exportações.
Para outras frutas como manga, laranja, limão, uva e maçã, a participação francesa nas exportações brasileiras é inferior a 1%. O g1 questionou o Ministério da Agricultura do Brasil e a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) sobre o uso desses agrotóxicos na produção das frutas afetadas, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Contexto político e pressão dos agricultores
O anúncio ocorre num contexto de tensão em torno do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, cuja assinatura foi adiada de dezembro de 2025 para janeiro de 2026. A França, apoiada pela Itália, opõe-se ao pacto nas condições atuais, pressionada por protestos de agricultores que alegam que o tratado prejudicaria setores como carne bovina, aves, açúcar e soja na Europa.
Em dezembro, manifestações incluíram o despejo de esterco em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron e protestos em Bruxelas, com queima de pneus e confrontos com a polícia. Os agricultores franceses argumentam que o acordo criaria concorrência desleal com produtos que não seguem os mesmos padrões rigorosos de produção da UE.
Fonte: g1.globo.com