A riqueza dos bilionários globais alcançou um patamar sem precedentes em 2025, alimentando um ciclo perigoso de desigualdade econômica e concentração de poder político, de acordo com o relatório anual “Resistir ao domínio dos mais ricos”, publicado pela organização não-governamental Oxfam. O documento, divulgado no mesmo dia do início do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, faz duras críticas às políticas do ex-presidente dos EUA, Donald Trump.
Segundo a Oxfam, os 12 indivíduos mais ricos do planeta agora detêm mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade, um grupo que engloba aproximadamente quatro bilhões de pessoas. O mundo registrou, pela primeira vez, mais de 3.000 bilionários, cujo patrimônio combinado soma a cifra astronômica de US$ 18,3 trilhões.
O crescimento dessa fortuna coletiva foi de 16,2% no último ano, um ritmo três vezes mais rápido que a média dos cinco anos anteriores. Enquanto isso, o combate à pobreza global desacelerou significativamente desde a pandemia de Covid-19.
A Oxfam alerta que este acúmulo colossal de capital permite que os ultrarricos garantam acesso privilegiado a instituições de poder e adquiram veículos de comunicação, “minando a liberdade política e corroendo os direitos da maioria”. A ONG estima que essas pessoas têm cerca de 4.000 vezes mais probabilidade de ocupar um cargo político do que um cidadão comum.
Os Estados Unidos são citados como um exemplo emblemático deste fenômeno, com o governo de Donald Trump contando com a presença de vários bilionários. “Isso pode ser observado nos EUA com o envolvimento de bilionários, em particular o de Elon Musk, nas eleições americanas. Estima-se que 1 em cada 6 dólares gastos por candidatos e partidos políticos em 2024 nos Estados Unidos venha de doadores bilionários”, afirmou Layla Abdelké Yakoub, representante da Oxfam.
O relatório também destaca que, nos EUA, uma política que conta com o apoio dos mais ricos tem 45% de chance de ser adotada, contra apenas 18% quando eles se opõem. “Isso está ligado a uma série de medidas tomadas ao longo do tempo, mas também ao monopólio da mídia, das redes sociais e da inteligência artificial”, complementa a organização.
Em Davos, o Fórum Econômico Mundial foi alvo de protestos. Nathalie Ruoss, vice-presidente da Juventude Socialista Suíça, presente em uma manifestação, declarou que o evento é “o lugar onde as pessoas mais poderosas e ricas do mundo se reúnem para discutir o nosso futuro, tomar decisões sobre ele — sobre a economia ou o clima, que afetam todos — e fazem isso sem qualquer legitimidade democrática”.
Amitabh Behar, diretor-geral da Oxfam, descreve um “círculo vicioso” no relatório: “As desigualdades econômicas e políticas podem acelerar a erosão dos direitos e da segurança das pessoas a uma velocidade assustadora”. A organização aponta que as medidas adotadas durante a presidência de Trump beneficiaram os mais ricos globalmente e pede ações para limitar seu poder, incluindo a taxação efetiva de grandes fortunas e a proibição do financiamento de campanhas políticas por bilionários.
O documento conclui com um alerta sombrio sobre as consequências sociais: “Diante dessas reações da população exausta e irritada com tanta desigualdade, ocorreram respostas autoritárias e violentas. O X é usado para rastrear, punir, sequestrar e torturar críticos do governo. Até onde alguns governos estão dispostos a ir para proteger os interesses dos ultrarricos às custas de sua população?”.