No cenário político do Rio de Janeiro, cresce a convicção de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abandonou o governador Cláudio Castro (PL) e agora atua ativamente para promover sua cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Cláudio Castro enfrenta uma ação por abuso de poder político e econômico, acusado de utilizar cerca de R$ 1 bilhão, provenientes da privatização da Cedae, para financiar sua campanha ao governo em 2022.
Inicialmente, o Palácio Guanabara depositava esperanças no apoio de Flávio Bolsonaro junto aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados por Jair Bolsonaro e que também integram o TSE. A expectativa era que eles votassem contra a cassação.
Contudo, o cenário mudou radicalmente. Fontes políticas e jurídicas indicam que Kassio Nunes não tem feito qualquer esforço para auxiliar Castro, contrariando as expectativas do governador. Essa omissão é atribuída diretamente à influência de Flávio Bolsonaro.
Os motivos por trás da suposta mudança de postura do senador são estratégicos. Em primeiro lugar, existe um impasse sobre quem assumiria o governo caso Castro se desincompatibilize para concorrer ao Senado. Enquanto Castro defende seu secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, Flávio é contra e prefere um nome de sua confiança.
O segundo motivo seria a própria vaga no Senado. O clã Bolsonaro não acredita que Castro, uma vez eleito senador, se empenharia em causas caras à família, como processos de impeachment contra ministros do STF. A cassação de Castro, com a consequente perda de seus direitos políticos, abriria a vaga para um candidato escolhido livremente por Flávio.
A pressão é constante. Especula-se diariamente sobre possíveis nomes para substituir Castro no pleito ao Senado, numa clara estratégia de assédio. Recentemente, circulou a informação de que Flávio lançaria sua esposa para manter o sobrenome Bolsonaro na casa legislativa, embora auxiliares do senador neguem.
O tom do conflito ficou evidente em declarações de assessores de Flávio ao blog: “O que Cláudio Castro tem que entender é que ele deve entrar na negociação com Flávio mais para ouvir do que para falar. Um tem perspectiva de poder. O outro tem perspectiva de ter a PF na sua porta”, em referência às investigações que atingem o governo estadual, como o caso RioPrevidência.
Do lado de Castro, a resposta é de descrença na lealdade da família Bolsonaro. Assessores do governador afirmam: “O Cláudio tanto tem vida própria, que nas pesquisas de intenção de voto para senador, ele está à frente de Flávio. E nenhum movimento da família espanta, já que o clã não é confiável e só pensa nos próprios interesses”.
A disputa, portanto, transcende uma simples divergência política e assume contornos de uma guerra pelo controle do poder no estado do Rio de Janeiro, com o futuro político de Cláudio Castro pendendo na balança do TSE.