Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmam que ele não pretende reagir publicamente à recente aproximação de partidos do Centrão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia, segundo assessores, visa evitar um afastamento ainda maior de legendas como PP e União Brasil de sua eventual candidatura.

Os interlocutores do senador avaliam que o comportamento do Centrão, conhecido por sua flexibilidade política, era esperado. Há uma convicção no entorno de Flávio Bolsonaro de que, a despeito dos contatos iniciais, uma parcela significativa dessas siglas acabará apoiando o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na corrida eleitoral.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tem direcionado seus esforços para outro front: o empresariado e o mercado financeiro. Recentemente, publicou um artigo delineando as linhas gerais de sua proposta de política econômica, prometendo um rigoroso corte de gastos públicos, um “tesouraço”, caso seja eleito.

Segundo aliados, a publicação serve a um duplo propósito: primeiro, sinalizar que Flávio será tão ou mais liberal em economia do que o pai no início de seu mandato, distanciando-se da guinada populista que Jair Bolsonaro adotou posteriormente. Segundo, posicioná-lo no debate econômico enquanto não anuncia formalmente o nome do economista que formulará seu programa de governo.

O cenário político permanece em aberto, com o Centrão mantendo seu tradicional jogo de bastidores e os pré-candidatos buscando consolidar suas bases de apoio para a disputa que se aproxima.