O prazo de isenção temporária do imposto de importação para veículos elétricos desmontados (CKD e SKD) terminou em 31 de janeiro de 2026. Com isso, esses veículos voltam ao cronograma de elevação tarifária gradual, que deve atingir uma alíquota de 35% a partir de janeiro de 2027.
A medida, que havia sido implementada por seis meses a pedido da BYD, permitia a importação de kits para montagem local com redução tributária. A decisão gerou forte reação das montadoras tradicionais instaladas no Brasil, como Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota, que enviaram uma carta conjunta ao presidente Lula alegando riscos à indústria nacional, perda de empregos e dependência tecnológica.
Em resposta, a BYD acusou as concorrentes de praticar “chantagem emocional” para proteger um modelo de negócios ultrapassado e manter a dominância no mercado, argumentando que sua chegada trouxe inovação e preços mais competitivos para o consumidor brasileiro.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) defende que a produção integral no país não deve ser equiparada à montagem de kits, criando uma assimetria que prejudica quem investe em fábricas completas. A BYD, por sua vez, entende que a montagem local já caracteriza uma forma de produção nacional.
O Brasil se tornou o maior mercado internacional da BYD em 2024, absorvendo cerca de 20% de suas exportações globais. A retomada da tributação reflete a tensão entre a atração de novos investidores e a proteção da cadeia produtiva já estabelecida no país.