Um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em parceria com a Tendências Consultoria, alerta para possíveis efeitos negativos da proposta de redução da jornada semanal de trabalho no Brasil. O projeto em discussão no Congresso pode reduzir a jornada de 44 para 36 horas semanais e acabar com a escala 6×1.
Em entrevista ao Conexão GloboNews, Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), repercutiu o levantamento e destacou pontos críticos da mudança. “Quando se trata da escala, as realidades variam muito de setor para setor. Em geral, ela está diretamente ligada à natureza das funções. A realidade da saúde é diferente da do transporte, da indústria e do comércio. Há segmentos que necessitam do modelo 6×1”, afirmou.
Skaf defende a livre negociação entre trabalhadores e empregadores e critica a interferência governamental. “É um erro a interferência governamental em algo que pode acabar atrapalhando setores e trabalhadores”, disse. Para ele, o foco deveria estar em reduzir a informalidade – que atinge 37,5% da população ocupada, equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores.
O presidente da Fiesp também comparou a situação com a de países vizinhos, como o Chile, onde houve aumento do desemprego e da informalidade após mudanças similares. “Quando a natureza de um segmento exige uma escala de trabalho, mas são impostas regras sem dar liberdade para as partes negociarem, isso acaba levando à informalidade”, explicou.
De acordo com o estudo da Fiep, mudanças abruptas na jornada de trabalho podem gerar impactos econômicos relevantes, especialmente sem ganhos de produtividade. As simulações indicam que, mesmo em um cenário otimista com ganho de produtividade de 2%, o PIB brasileiro poderia cair até 3,7% no primeiro ano após a mudança. No horizonte de cinco anos, a queda acumulada poderia chegar a 4,9%.
“A gente tem que ser verdadeiro: aumenta o custo, sim; gera desemprego por causa desse aumento; o país perde produtividade. Proibir a escala 6×1 atrapalha setores cuja natureza exige esse formato e tira a liberdade de quem prefere trabalhar nessa escala”, completou Skaf.