A Fictor Alimentos S.A., empresa do setor alimentício listada na B3 sob o código FICT3, solicitou formalmente sua inclusão no processo de recuperação judicial da sua controladora, a Fictor Holding. O pedido foi protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo nesta quinta-feira (26).

A medida amplia o alcance do pedido de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Fictor no início de fevereiro, que inicialmente incluía apenas a Fictor Invest e a Fictor Holding. Agora, outras companhias do grupo, incluindo a operação de alimentos, buscam ser incluídas no mesmo processo.

De acordo com a empresa, a decisão foi motivada pelos impactos negativos no ambiente de negócios após a divulgação da recuperação judicial da holding. Entre os efeitos citados estão dificuldade de acesso a crédito, revisão de limites por bancos e problemas nas relações comerciais, fatores que afetam sua capacidade financeira e operacional.

Em comunicado, a Fictor Alimentos afirmou que a entrada no processo busca preservar suas atividades e criar um cenário mais organizado para a renegociação de dívidas. A inclusão conjunta de empresas do grupo deve facilitar negociações com credores e aumentar a transparência para investidores e fornecedores.

Ações e bens bloqueados

No início do mês, a Justiça de São Paulo determinou a suspensão, por 30 dias, de processos de execução e de novos bloqueios de bens contra a Fictor Holding e a Fictor Invest. A decisão antecipa o chamado stay period, fase em que a Justiça suspende cobranças contra empresas em recuperação judicial.

O objetivo da recuperação, segundo a companhia, é “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, que somam mais de R$ 4,2 bilhões. A empresa alertou para o risco de paralisação das atividades devido a ordens judiciais em curso.

O juiz destacou que a suspensão vale apenas para atos futuros, mantendo retidos bens e valores já bloqueados. A liberação desses recursos depende da conclusão de uma perícia que apure a situação das empresas.

Do Banco Master à recuperação judicial

A Fictor relaciona a crise de liquidez ao episódio envolvendo o Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro. Um consórcio liderado por um dos sócios do grupo havia anunciado uma proposta de aquisição do banco, suspensa após a decisão do BC.

Segundo a empresa, o episódio afetou diretamente sua imagem no mercado, gerando um grande volume de notícias negativas que atingiram a liquidez do grupo. A Fictor ressaltou que, desde o início de suas operações, “não haviam sido registrados atrasos de nenhuma natureza”.

Diante da crise, o grupo implementou um plano de reestruturação que incluiu redução da estrutura física e do número de funcionários, ação tomada antes do pedido de recuperação judicial para “proteger os direitos dos colaboradores”.

Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua nos setores de indústria alimentícia, energia, infraestrutura e soluções de pagamento. A empresa destacou que a recuperação judicial inicial não incluía as subsidiárias, que mantinham suas rotinas, com o objetivo de “evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas do processo recuperacional”.