O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, irá deixar o comando da pasta na próxima semana para concorrer ao governo do estado de São Paulo. A decisão foi confirmada por fontes próximas ao ministro e atende a um pedido pessoal do presidente Lula, que considera a presença de Haddad na disputa paulista fundamental para o cenário eleitoral nacional.

A saída está prevista para quinta-feira (19 de março), cumprindo assim o prazo legal de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral. Ministros que desejam disputar eleições precisam deixar seus cargos oficiais até seis meses antes da votação, prazo que se encerra no início de abril.

Haddad, que inicialmente demonstrou resistência em deixar a Fazenda, acabou por aceitar o convite após um jantar com Lula, no qual o presidente argumentou que precisava do ministro na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O acirramento da corrida presidencial, evidenciado por pesquisas recentes, foi o argumento final para a mudança.

Pesquisas do Datafolha indicam um segundo turno muito apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência. Nesse contexto, São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, ganha importância estratégica. Apesar de aparecer atrás do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas intenções de voto, Haddad apresenta um desempenho melhor do que outros nomes cogitados pelo governo, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra Simone Tebet.

A decisão marca um ponto de virada na estratégia do governo para as eleições estaduais e reflete a tentativa de fortalecer a chapa nacional em um estado considerado chave para o pleito presidencial.