O Ministério da Fazenda, sob comando de Fernando Haddad, confirmou que a proposta de empréstimo para os Correios, que pode atingir R$ 12 bilhões, está em análise pela equipe econômica. A avaliação do plano de reestruturação da estatal deve ser concluída até esta sexta-feira (19).
“Já enviou. Já tá aqui, já enviou com plano de reestruturação. Nós estamos ultimando a análise do Tesouro para verificar a consistência do projeto e encaminhar”, afirmou o ministro.
Haddad destacou que a negociação envolveu um pool de bancos interessados no financiamento, respeitando as regras fiscais e o teto de juros estabelecido pelo Tesouro Nacional, que se recusou a dar garantias para operações com taxas superiores a 120% do CDI.
“Também fizemos uma negociação com o pool de bancos que estariam dispostos a entrar no financiamento dentro das regras estabelecidas, pré-estabelecidas, sem romper o teto”, explicou.
Taxa de Juros e Condições
Embora não tenha detalhado o valor exato da taxa, Haddad afirmou que os parâmetros máximos já foram negociados com a Fazenda, mantendo-se dentro do limite de 120% do CDI considerado razoável pelo governo. O ministro também descartou qualquer aporte financeiro direto da União no momento.
Prazo Apertado e Urgência
Reconhecendo o curto prazo, Haddad garantiu que a equipe trabalha no projeto há semanas. Os Correios dependem da aprovação imediata do empréstimo para honrar compromissos como o pagamento de salários e fornecedores. “Se fechar a taxa corretamente, o plano for validado pelo Tesouro, tá feito. É pouco tempo, mas nós estamos trabalhando algum tempo já”, concluiu.
Contexto e Tentativas Anteriores
Esta não é a primeira tentativa de socorro financeiro. Em novembro, os Correios negociaram uma linha de crédito de R$ 20 bilhões, que foi frustrada em dezembro quando o Tesouro rejeitou dar garantia a uma taxa de juros proposta de 136% do CDI.
Cenário Financeiro dos Correios
A situação da estatal é crítica. Os prejuízos saltaram de R$ 633 milhões em 2023 para R$ 2,6 bilhões em 2024. No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o déficit já alcança R$ 6 bilhões, com projeção de fechar o ano com um resultado negativo de R$ 10 bilhões.
O plano de reestruturação mais robusto, apresentado em novembro, prevê demissão voluntária de 15 mil funcionários, venda de imóveis e o empréstimo agora em análise. A expectativa é que a proposta atual, de valor reduzido em relação à anterior, seja aprovada ainda esta semana para aliviar a pressão financeira imediata da empresa.