Após oito anos do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, a família da parlamentar vive a expectativa pelo julgamento dos acusados de mandar matá-la, que começa nesta terça-feira (24) no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os réus são os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e o ex-delegado-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, presos em março do ano passado. Todos negam as acusações.
“Depois de oito anos, não tem como a gente não esperar que tenha um resultado positivo em relação aos mandantes. Tem se arrastado esses anos todos”, disse Marinete Silva, mãe de Marielle, em entrevista à GloboNews.
A família destacou a surpresa com o envolvimento de Rivaldo Barbosa, que inicialmente comandou as investigações. “Ele se dizia amigo da Marielle, então nós acreditamos que ele realmente iria resolver a nossa situação”, afirmou Antônio Francisco, pai da vereadora.
Marinete também ressaltou a dificuldade em compreender o motivo do crime: “Pela atuação, pelo o que a Marielle representava, pela mulher que ela se tornou… É muito difícil [dizer o motivo]”.
Luyara Franco, filha de Marielle, que tinha 19 anos na época do assassinato, falou sobre carregar o legado da mãe: “Virei mulher do dia para a noite com o tamanho da responsabilidade. E hoje, assumindo a direção do Instituto [Marielle Franco] com muito mais maturidade e certeza da nossa luta”.
Em outubro de 2024, os executores do crime já haviam sido condenados: Ronnie Lessa, autor dos disparos, recebeu 78 anos e 9 meses de prisão; e Élcio Queiroz, motorista do carro usado no ataque, foi condenado a 59 anos e 8 meses.
O julgamento no STF é visto como uma oportunidade para a Corte atuar em um tema com amplo apoio popular e aliviar tensões internas no tribunal.