O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (24) o julgamento dos acusados de ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em março de 2018. Familiares das vítimas compareceram à Corte e destacaram o processo como um marco para a democracia brasileira.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, afirmou que a resposta judicial é um recado para toda a sociedade. “Essa resposta também, que pode sair daqui hoje ou amanhã, é para a democracia, não uma resposta só pela Mari, e pela minha família, pela família do Anderson […], para que fique exemplo de que nenhum crime pode ficar impune”, declarou. Ela ressaltou que o avanço das investigações só foi possível com mudanças institucionais após 2022.

Marinete Silva, mãe de Marielle, expressou confiança no STF e exigiu uma decisão dura. “A gente confia muito nessa instituição, que tem dado resposta para o Brasil e para o mundo […]. É preciso ter uma resposta positiva em relação aos mandantes dessa barbárie”, disse. Antônio Francisco, pai da vereadora, criticou a disparidade entre a falta de defesa das vítimas e o aparato jurídico dos acusados.

Agatha Arnaus, esposa de Anderson Gomes, lembrou os oito anos de espera por justiça. “Justiça não é um sentimento, é um processo. Ela precisa ser concreta […]. Oito anos é tempo demais para quem espera por resposta. O Estado tem que alcançar também quem ordena crime”, afirmou.

Luyara Santos, filha de Marielle, agradeceu o apoio recebido e defendeu uma justiça plena. “O Estado brasileiro precisa dar resposta para a sociedade, para a democracia, que a gente não pode deixar impune. A Justiça plena para minha mãe, para o Anderson, passa pela responsabilização, pela não repetição e pela reparação para a nossa família”, disse.

Os réus no processo são Domingos Brazão (conselheiro do TCE-RJ), Chiquinho Brazão (ex-deputado federal), Rivaldo Barbosa (ex-chefe da Polícia Civil do RJ), Ronald Paulo de Alves Pereira (ex-policial) e Robson Calixto Fonseca (ex-assessor). Eles respondem por homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves. Os irmãos Brazão e Fonseca também são acusados de organização criminosa.

O caso está no STF devido ao foro privilegiado de Chiquinho Brazão, ex-deputado federal. Em 2024, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, executores do crime, já foram condenados pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.