O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), buscou esclarecer o significado da expressão “autocorreção”, utilizada por ele na abertura do ano judiciário. Segundo Fachin, o termo se refere a uma “maturidade institucional” para revigorar a atuação do Tribunal, e não ao reconhecimento de erros de conduta por parte dos demais ministros.

A declaração original, no entanto, causou mal-estar entre parte dos colegas da corte, que interpretaram a fala como uma suspeição lançada indiscriminadamente sobre todos, colocando o presidente em um patamar de superioridade moral. Este episódio acabou por aglutinar forças contrárias ou reticentes à principal bandeira de Fachin: a implementação de um Código de Ética para o STF.

Em seu discurso, o ministro reconheceu o papel fundamental do Supremo na defesa da democracia, mas ponderou: “Sem embargo desses reconhecimentos, o momento histórico é também de ponderações e de autocorreção”. Em conversas com interlocutores, Fachin tem reiterado que a ideia não é admitir falhas passadas, mas sim reconhecer que cada contexto histórico exige respostas institucionais adequadas.

O debate sobre a autocorreção e a proposta de um código de conduta evidenciam tensões internas no STF sobre os limites e a transparência de sua atuação, em um momento de intenso escrutínio público sobre o Poder Judiciário.