A Raízen, uma das maiores empresas do setor sucroenergético do mundo, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. Credores que representam mais de 47% desse valor já aderiram ao plano, indicando disposição para discutir novas condições de pagamento. A empresa garante que suas operações seguem normalmente.
A medida é a culminação de um período de forte pressão financeira, marcado pelo aumento do endividamento e por desafios operacionais. A recuperação extrajudicial é um acordo direto com credores, fora da Justiça, que visa obter mais prazo ou melhores condições para pagar as dívidas e evitar problemas mais graves, como uma falência.
Origem e atuação da companhia
Criada em 2011 a partir da parceria entre a Cosan e a Shell, a Raízen se tornou a maior produtora mundial de etanol de cana-de-açúcar. O nome surgiu da junção de “raiz” e “energia”, refletindo sua origem no setor sucroenergético. Hoje, a empresa atua em toda a cadeia, produzindo açúcar, etanol, bioeletricidade e biogás, além de distribuir combustíveis da marca Shell no Brasil, Argentina e Paraguai.
Expansão e aposta em novos projetos
A partir de 2016, a Raízen iniciou uma fase de forte expansão, financiada em grande parte por dívida. O foco principal foi a produção de etanol de segunda geração (E2G), tecnologia que utiliza resíduos da cana. A empresa também investiu em energia solar, biogás e expandiu suas operações internacionais, adquirindo ativos da Shell na Argentina e passando a atuar no Paraguai.
Diversificação de negócios
Além da produção, a Raízen ampliou sua atuação na distribuição e comercialização de combustíveis para postos Shell, aeroportos e grandes clientes corporativos. A empresa também administra lojas de conveniência e investiu em digitalização, com aplicativos como o Shell Box. Movimentos da holding controladora Cosan, como um grande investimento na Vale, também impactaram o cenário financeiro do grupo.
Piora nos resultados da empresa
O cenário financeiro da empresa se deteriorou rapidamente. Enquanto no ano fiscal de 2021/2022 registrou lucro de R$ 3 bilhões e dívida líquida de R$ 13,8 bilhões, até o terceiro trimestre de 2025/2026 acumulava um prejuízo de R$ 15,6 bilhões. A dívida líquida disparou para R$ 55,3 bilhões, aumentando drasticamente o peso das obrigações em relação à sua capacidade de gerar caixa.
Tentativa de reorganização
Diante da crise, a estratégia atual da empresa é retomar o foco nas atividades centrais: produção de açúcar e etanol e distribuição de combustíveis. A companhia iniciou a venda de ativos não essenciais e buscou reforçar seu capital, mas enfrentou divergências entre os sócios. A pressão dos credores levou à busca por uma solução mais ampla, resultando no pedido de recuperação extrajudicial. Agora, a empresa tem até 90 dias para obter o apoio mínimo necessário para que o plano seja homologado.
O que diz a empresa
Em nota, a Raízen afirmou que a renegociação envolve apenas parte das dívidas financeiras e não afeta suas operações ou relações com clientes, fornecedores e parceiros. “Todas as operações da companhia continuam sendo conduzidas normalmente”, destacou a empresa, que se comprometeu a manter acionistas e mercado informados sobre os desdobramentos.