Um encontro entre o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e sete deputados da federação PSDB-Cidadania na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) consolidou nesta quinta-feira (5) um movimento de migração partidária que se anunciava há cerca de um ano. Seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania oficializaram a filiação ao partido de Kassab, efetiva a partir de 4 de março.
Com a saída, a federação perde a posição de terceira maior bancada da Alesp, rompendo décadas de predomínio tucano na política paulista. A bancada, que era de 11 deputados, reduz-se para apenas quatro: dois do PSDB e dois do Cidadania, equiparando-se em tamanho às bancadas do MDB e do PSB.
Trajetória de Hegemonia ao Declínio
Fundado em 1988 a partir de uma dissidência progressista do MDB, o PSDB sempre teve raízes profundas em São Paulo, com fundadores como Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Mário Covas e José Serra. O partido estabeleceu uma hegemonia no estado, elegendo o governador por sete eleições consecutivas entre 1994 e 2018.
Essa hegemonia chegou ao fim em 2022, com a eleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A derrota de Rodrigo Garcia foi o ápice de uma crise interna, agravada por disputas entre João Doria e outras lideranças, que levou o PSDB a não lançar candidato próprio à Presidência pela primeira vez em sua história.
Os sinais de erosão se intensificaram: em 2024, oito vereadores tucanos deixaram a sigla na capital paulista. Nas eleições municipais, o partido não elegeu prefeitos em nenhuma capital e perdeu sua representação na Câmara Municipal de São Paulo. No estado, o número de prefeituras sob sua administração despencou de 173 para 21.
O Último Bastião Desmorona
A Assembleia Legislativa era considerada o último reduto de força do PSDB. A federação com o Cidadania garantia a terceira maior bancada e um assento na Mesa Diretora. Agora, com a debandada de 7 dos 11 deputados, esse bastião também ruiu.
Entre os remanescentes, a deputada Carla Morando (PSDB) afirmou que também deixará o partido, mas ainda não definiu seu destino. Já Ana Carolina Serra (Cidadania) declarou não pensar em mudança de legenda no momento, mas reconheceu a ansiedade entre os colegas. Bruna Furlan (PSDB) e Ortiz Júnior (Cidadania) não se manifestaram.
Reações e o Futuro
O presidente estadual do PSDB-SP, Paulo Serra, criticou a movimentação, classificando-a como uma “forma desrespeitosa de cooptação de quadros” e um “canibalismo” dentro da base do governador Tarcísio que “em nada ajuda a construção de um projeto nacional de centro”.
Em contrapartida, Serra afirmou que o partido está em processo de transformação e recebendo “grandes quadros com sangue novo”, mantendo a esperança na reconstrução de um projeto político que “já provou que dá certo”. Ele também atacou o PSD, lembrando que o partido integra a base do governo federal do PT.
O cenário político paulista será redefinido nas eleições de 4 de outubro, que renovarão a composição da Assembleia Legislativa para os próximos quatro anos, em um contexto de profunda reconfiguração partidária.