O ex-diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master, Luiz Antonio Bull, revelou à Polícia Federal que, apesar de ocupar formalmente o cargo de diretor de compliance, não exercia efetivamente as funções de monitoramento, prevenção de irregularidades e correição na instituição. Em depoimento, Bull admitiu que assinava documentos “sem ler”.
A declaração foi prestada no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência direta à ausência total de controles internos para evitar crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Bull afirmou aos investigadores, em 27 de janeiro, que as atividades de compliance do Master eram parcialmente realizadas pelo próprio banco e, em parte, terceirizadas para um escritório de advocacia. Essa estrutura híbrida, destinada a fiscalizar e garantir a boa governança, demonstrava falhas graves de funcionamento.
O ex-diretor confessou que, embora fosse nominalmente o chefe da área, dedicava-se a outras funções e desconhecia os problemas que ocorriam no banco. Ele destacou que, apesar de existir uma normativa do Banco Central exigindo responsáveis formais por cada departamento, e de o Master contar com quatro diretores, ele integrava a diretoria sem, de fato, participar das decisões.
Bull também informou à PF que não possui formação específica em compliance ou na área jurídica, descrevendo-se como um “diretor só no papel”. Segundo ele, as atribuições da função eram desempenhadas por outros membros do jurídico interno do Master e por integrantes do escritório de advocacia contratado.
Ex-diretor do BRB também alega desconhecimento
Em paralelo, o ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB, Dário Oswaldo Garcia Jr, declarou à Polícia Federal que não tinha conhecimento dos detalhes da aquisição de carteiras de crédito do Master no valor de R$ 12 bilhões. Dario afirmou não compreender como o banco público adquiriu uma massa tão significativa de créditos considerados “podres” ou sem lastro.
O BRB passou por uma completa troca de diretoria após o escândalo, e Dario foi um dos executivos que perderam o cargo.
Relembre os principais pontos da Operação Compliance Zero
- Fraude: A investigação apurou a criação de carteiras de crédito fictícias para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, com o objetivo de viabilizar uma venda ou fusão com o Banco de Brasília (BRB).
- Valores: As irregularidades são estimadas em R$ 12 bilhões. Em fases posteriores, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.
- Alvos e Prisões: O principal alvo foi o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que chegou a ser preso preventivamente. A operação também afastou a cúpula do BRB, incluindo seu presidente, por indícios de que o banco público teria injetado bilhões em operações fraudulentas.
- Consequências: Após a deflagração da primeira fase da operação, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, concluindo que a instituição não tinha condições de honrar seus compromissos.