O governo do presidente Donald Trump iniciou nesta quarta-feira (11) uma investigação comercial contra 16 grandes parceiros dos Estados Unidos por suposto excesso de produção, um movimento que pode abrir caminho para a imposição de novas tarifas.
A medida é vista como uma forma de retomar a pressão por um novo tarifaço, após a Suprema Corte dos EUA ter derrubado, no mês passado, a principal base legal das tarifas aplicadas anteriormente pelo republicano.
O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a investigação, com base na chamada “Seção 301”, pode levar à aplicação de novas tarifas sobre produtos da China, União Europeia, Índia, Japão, Coreia do Sul e México nos próximos meses.
Outros parceiros comerciais sujeitos à investigação incluem Taiwan, Vietnã, Tailândia, Malásia, Camboja, Cingapura, Indonésia, Bangladesh, Suíça e Noruega. O Canadá, segundo maior parceiro comercial dos EUA, não foi mencionado como alvo.
“Essas investigações se concentrarão em economias que, segundo nossas evidências, parecem apresentar excesso estrutural de capacidade e produção em vários setores de manufatura”, disse Greer a repórteres em uma teleconferência.
Greer também anunciou que, nesta quinta-feira, será iniciada outra investigação com base na Seção 301, desta vez destinada a proibir a importação para os EUA de produtos feitos com trabalho forçado, envolvendo mais de 60 países.
Os EUA já restringiram a importação de painéis solares e outros produtos da região de Xinjiang, na China. A nova investigação pode ampliar essas medidas para outros países.
Greer disse esperar concluir as investigações da Seção 301, incluindo as propostas de solução, antes que as novas tarifas temporárias impostas por Trump no final de fevereiro expirem em julho.
Após a decisão da Suprema Corte em 20 de fevereiro, que considerou ilegais as tarifas globais de Trump com base em uma lei de emergências nacionais, o presidente aplicou uma tarifa de 10% por 150 dias sob a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.
Trump definiu um cronograma acelerado para a investigação do excesso de capacidade, com comentários públicos aceitos até 15 de abril e uma audiência pública prevista para cerca de 5 de maio.
Greer afirmou que as novas investigações, já anunciadas há algum tempo por autoridades do governo, não devem surpreender os parceiros comerciais, mas ressaltou que isso não significa que esses países ficarão imunes a todas as novas tarifas previstas.