O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, revelou ao Senado norte-americano que os EUA repartiram com a Venezuela os fundos da primeira venda de petróleo venezuelano desde a deposição de Nicolás Maduro. A transação, realizada em 14 de janeiro, rendeu aproximadamente 500 milhões de dólares.
Segundo Rubio, 300 milhões de dólares foram transferidos para o governo interino venezuelano, enquanto os restantes 200 milhões permanecem retidos numa conta bancária no Qatar. O anúncio foi feito durante uma audiência no Congresso destinada a esclarecer a operação militar que levou à captura de Maduro no início de janeiro.
O chefe da diplomacia norte-americana aproveitou a ocasião para enviar um aviso claro à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Num excerto do seu depoimento divulgado antecipadamente, Rubio afirmou que Rodríguez “conhece muito bem o destino de Maduro” e que os EUA estão preparados para usar a força se outros métodos para garantir a cooperação falharem.
Esta advertência surge no contexto de tensões entre Washington e Caracas, após Rodríguez ter declarado estar “farta” da pressão norte-americana. O governo Trump colocou a indústria petrolífera venezuelana sob tutela e exige que a líder interina corte os laços históricos do país com a China, Rússia e Irão.
Rubio defendeu a operação que depôs Maduro, garantindo que não se trata de uma guerra contra a Venezuela e destacando que foi alcançada “sem a perda de uma única vida norte-americana”. No entanto, fontes venezuelanas reportam mais de uma centena de mortos durante os confrontos.
Após a audiência, o secretário de Estado reuniu-se com María Corina Machado, a opositora ao chavismo e vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2025, que tem procurado manter um diálogo aberto com Washington.