O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (25) a autorização para que empresas solicitem licenças para revender petróleo venezuelano a Cuba. A medida visa mitigar a grave escassez de combustível que afeta a ilha caribenha.

Desde que Washington assumiu o controle das exportações de petróleo da Venezuela em janeiro, após a captura do presidente Nicolás Maduro, o fornecimento regular a Cuba foi interrompido, agravando significativamente a crise energética local.

Por mais de 25 anos, a Venezuela foi o principal fornecedor de petróleo bruto e combustíveis para Cuba, através de um acordo bilateral de cooperação. Com a interrupção, o México surgiu como alternativa, mas também suspendeu os envios após uma entrega em janeiro, conforme dados de rastreamento marítimo.

A nova política ocorre num contexto em que grandes tradings, como Vitol e Trafigura, dominam a maior parte das exportações de petróleo venezuelano, direcionando milhões de barris para os EUA, Europa e Índia, enquanto outros milhões permanecem armazenados no Caribe.

O presidente Donald Trump afirmou que aliados da Venezuela, incluindo China e Cuba, que antes recebiam petróleo através de trocas ou quitação de dívidas, agora terão de pagar preços de mercado.

A autorização coincide com a visita do secretário de Estado Marco Rubio ao Caribe, onde iniciou conversas com líderes regionais preocupados com o potencial de desestabilização devido à crise humanitária em Cuba.

No entanto, persistem incertezas sobre a capacidade financeira de Cuba para adquirir o petróleo em termos comerciais padrão, que exigem garantias bancárias e pagamento antecipado, desafios que o país tem enfrentado nos últimos anos.

As orientações do Tesouro especificam que as transações devem “apoiar o povo cubano, incluindo o setor privado”, permitindo exportações para uso comercial e humanitário. Operações que beneficiem as Forças Armadas ou instituições governamentais cubanas não serão autorizadas.

O Departamento esclareceu ainda que as empresas interessadas não precisam estar sediadas nos EUA e que as restrições de uma licença concedida em janeiro para exportação ampla de petróleo venezuelano não se aplicarão a Cuba.