EUA e Argentina selam parceria comercial estratégica
Os Estados Unidos e a Argentina assinaram nesta quinta-feira (5) um acordo comercial abrangente que prevê redução significativa de tarifas e estabelece um plano recíproco de investimentos. O entendimento inclui acesso privilegiado a minerais críticos, alinhando-se à estratégia do presidente Donald Trump de reduzir a dependência da China no fornecimento desses insumos essenciais para tecnologia, energia e defesa.
Cooperação em minerais estratégicos
O acordo prevê cooperação e investimentos norte-americanos em toda a cadeia de minerais críticos na Argentina – desde a exploração até o refino, processamento e exportação. Esta iniciativa reforça a política de diversificação de fontes de suprimentos estratégicos dos EUA, atualmente concentrados na China.
Redução tarifária progressiva
Após entrar em vigor, o acordo estabelece que a Argentina elimine ou reduza para aproximadamente 2% as tarifas de milhares de produtos norte-americanos. Serão abertas cotas isentas para itens estratégicos, incluindo 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos. Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para produtos agrícolas argentinos selecionados e limitarão sobretaxas a um teto máximo de 10% sobre outros bens.
Setores beneficiados
O Acordo de Comércio Recíproco e Investimento (ARTI) amplia o acesso de investimentos americanos a múltiplos setores da economia argentina:
- Energia: Facilitação de investimentos em toda a cadeia energética
- Infraestrutura: Telecomunicações, transporte e logística
- Tecnologia: Redes 5G/6G, satélites e cabos submarinos
- Bens de capital: Máquinas e equipamentos para diversos setores
- Defesa: Simplificação do comércio e cooperação industrial
- Financiamento: Apoio de agências como EXIM Bank e DFC
Contexto político e próximos passos
O acordo foi celebrado durante a primeira visita do presidente argentino Javier Milei à Casa Branca. O documento entrará em vigor 60 dias após a conclusão dos trâmites legais internos em ambos os países. As reduções tarifárias serão implementadas gradualmente, com ajustes anuais em 1º de janeiro.
Repercussão regional
Enquanto isso, o Brasil participou de reuniões nos EUA para discutir a formação de um bloco comercial de minerais críticos. O governo brasileiro avalia sua possível adesão à iniciativa, mantendo-se aberto a parcerias que agreguem valor, embora enfatize que decisões sobre o tema exigirão análise bilateral cuidadosa.