Operação Compliance Zero desvenda esquema de fraude entre Banco Master e Reag

A Reag, já investigada pela Polícia Federal por suspeitas de ligação com o PCC, tornou-se peça central na Operação Compliance Zero. O foco é a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (antiga Reag Trust DTVM), que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. A PF investiga se a Reag estruturou fundos para movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados, ocultar riscos e facilitar lavagem de dinheiro em conluio com o Banco Master.

O Mecanismo da Fraude

O Banco Central descreveu uma complexa engenharia financeira para inflar patrimônio e mascarar riscos:

  • Captação: O Banco Master oferecia CDBs com rendimentos acima do mercado para atrair investidores e captar recursos.
  • Empréstimo e Triangulação: Em abril de 2024, o banco concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à Brain Realty Consultoria. Dois dias depois, quase todo o valor (R$ 450 milhões) foi transferido para o fundo Brain Cash, administrado pela Reag.
  • Circulação entre Fundos: No mesmo dia, o dinheiro circulou rapidamente por outros fundos da Reag, como D Mais e High Tower, em operações de minutos.
  • Compra e Superavaliação de Ativos: O fundo High Tower usou os recursos para comprar títulos antigos do extinto Besc. Apesar de custarem cerca de R$ 850 milhões, foram registrados no balanço como valendo mais de R$ 10 bilhões, inflando artificialmente o patrimônio e a rentabilidade.
  • Revenda e Fragmentação: Parte desses títulos supervalorizados foi revendida a outros fundos da Reag por valores bilionários, ampliando a distorção contábil. Os R$ 450 milhões iniciais foram pulverizados entre vários fundos do grupo no mesmo dia.
  • Retorno ao Banco Master: Cerca de três horas depois, os fundos aplicaram praticamente todo o valor em CDBs do próprio Banco Master.

Na prática, o dinheiro circulou por fundos e voltou ao banco em poucos dias. O objetivo era criar uma falsa sensação de solidez e liquidez, confundindo o rastreamento do capital. Especialistas apontam que o banco acabou financiando a si mesmo, sem um tomador final real.

A Liquidação da CBSF (Reag Trust)

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF, encerrando suas atividades por descumprimento de regras que comprometiam sua operação segura. A medida atinge a gestora, mas não os fundos sob sua administração, que permanecem ativos e devem buscar novos administradores. O BC afirmou que continuará apurando responsabilidades, o que pode levar a sanções administrativas e comunicações a outras autoridades. Os bens dos controladores e ex-administradores foram tornados indisponíveis.

Envolvimento Familiar e Desvio de Recursos

A investigação da PF indica que os controladores do Banco Master e do grupo Reag usaram familiares para ocultar o controle real de ativos e fundos. A Reag teria sido instrumental para desviar recursos do Master, com filhos e outros parentes sendo utilizados na prática dos crimes. O Banco Master já teve sua liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025.