E-mails atribuídos ao criminoso sexual Jeffrey Epstein e ao estrategista político Steve Bannon, divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, revelam uma troca de elogios ao então candidato Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.

Em mensagem de 8 de outubro de 2018, um dia após o primeiro turno, Epstein escreveu: “Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO”.

Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump, respondeu afirmando que era próximo da equipe de Bolsonaro e questionou se deveria atuar como conselheiro. Epstein respondeu com ceticismo, chamando a proposta de um argumento “reino no inferno”.

Na época, Bannon deu entrevista à BBC News Brasil descrevendo Bolsonaro como “líder”, “brilhante”, “sofisticado” e “muito parecido com Trump”, embora tenha negado participação formal na campanha.

Em outra parte da conversa, Bannon disse a Epstein: “Diga a ele que o meu candidato vai ganhar no primeiro turno”, referindo-se a Bolsonaro. Epstein respondeu: “Bolsonaro é de verdade” (“the real deal”, no original).

Os dois discutiram uma possível viagem de Bannon ao Brasil para apoiar a campanha. Epstein sugeriu: “Se você está confiante na vitória [de Bolsonaro], pode ser bom para sua marca se você fosse visto lá”.

Os documentos também mostram que Epstein aconselhou Bannon a evitar falar de Bolsonaro em um encontro com o filósofo Noam Chomsky, cuja esposa é brasileira e que seria amigo do ex-presidente Lula.

Os e-mails estão entre os mais de 3 milhões de arquivos relacionados ao caso Epstein divulgados recentemente pelas autoridades americanas.