Enquanto os canaviais descansam, as oficinas das usinas de cana-de-açúcar, etanol e energia do noroeste paulista entram em plena atividade. A entressafra, que vai geralmente de novembro a março, é o período estratégico dedicado a revisões completas, reparos e melhorias em toda a frota e infraestrutura industrial, garantindo a eficiência para a próxima safra.
Em unidades como a de Catanduva (SP), o trabalho é intenso. Colheitadeiras, que chegam a operar ininterruptamente por nove meses, são desmontadas peça por peça. Cada uma passa por uma revisão minuciosa, com um custo médio de R$ 150 mil por máquina. A vida útil desses gigantes do campo é de aproximadamente 18 mil horas, equivalentes a cinco safras.
“É um trabalho de formiguinha, mas essencial. Identificamos tudo durante a safra e na entressafra executamos”, explica Lenin Camargo, que durante a moagem atua na fábrica de açúcar e, no período de manutenção, assume a liderança de uma equipe dedicada a válvulas e equipamentos específicos.
Além das máquinas agrícolas, setores críticos como moenda e caldeira, que sofrem alto desgaste, são totalmente desmontados para manutenção. A logística é complexa, envolvendo desde pequenas peças até estruturas pesadas que exigem guindastes para serem movidas. O cronograma precisa ainda driblar o período de chuvas na região, que pode atrasar serviços em áreas externas.
As usinas mantêm equipes especializadas e estoques próprios de milhares de itens para agilizar os reparos. Em algumas unidades, como em Novo Horizonte (SP), parcerias com empresas terceirizadas permitem até a antecipação de entregas de equipamentos revisados.
O investimento vai além da manutenção corretiva e preventiva. A entressafra é vista como uma janela de oportunidade para modernizações, substituição de equipamentos obsoletos e implementação de melhorias que elevam a produtividade e a eficiência operacional para o ciclo que se inicia.
Este ciclo de manutenção intensiva é, portanto, um pilar fundamental para a sustentabilidade e competitividade do setor sucroenergético, assegurando que as usinas estejam em plenas condições para enfrentar a demanda da próxima safra.